31 dezembro 2016

Terapia de choque e lawfare




O que a "oposição moderada" síria, financiada por interesses externos, produziu em Alepo nestes cinco anos de guerra. Algo se desprende nessas imagens, a impossibilidade de acreditar em "rebeldes" preocupados com os destinos da nação síria. Tamanha destruição só poderia ser concebida em uma ação voltada para a destruição, por grupos mercenários muito bem armados.

É como se a tal "primavera" devesse se estabelecer a todo custo, guiado por um conjunto difuso de milicianos a serviço de diversas crenças e senhores, orientados por uma narrativa que propunha a democracia tal como idealizam as potências centrais do capitalismo. E uma vez diante de insuperável resistência, a única oferta disponível fosse a ruína como castigo merecido.

Em outras palavras: é imprescindível questionar o que se convenciona chamar de 'primavera árabe', esse influxo de destruição continuada onde nações como Síria, Líbia e atualmente o Iêmen, são deliberadamente devastadas em sua estrutura sócio-política-econômica, com terríveis efeitos no longo processo histórico e cultural. Tudo para que sejam reconfiguradas segundos a terapia de choque do capitalismo.

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O sentido ideológico dessa destruição física da Síria, cuja resistência ao terrorismo armado aprofunda o cenário de desconsolo, encontra similaridade nas transformações que ocorrem no último ano tanto no Brasil como na Argentina. Tomo em especial o caso do Brasil, onde a conspirata iniciada com o rito do golpe institucional se prolonga com efeitos em diversos setores de nossa sociedade.

Os interesses geopolíticos estadunidenses encontram guarida em instituições internas, como o ministério público, a imprensa corporativa, a Fiesp e os bancos, e no Congresso, ou seja, respectivamente, o poder jurídico, comunicacional, econômico-financeiro e político. Em fina articulação, colocaram um governo eleito democraticamente abandonado na sarjeta e agora procedem as mudanças estruturais.

Operam segundo o lawfare onde, atacando os adversários do sistema, se promove o desmonte do Estado social, submetido a uma onda de fortes privatizações. Em um primeiro momento e também posteriormente, se tem a impressão de que atores públicos assumem o papel de agentes da destruição, formulando propostas - não projetos - de descaracterização da carta magna, eliminando direitos sociais e instaurando privilégios cartoriais.

As expectativas são nebulosas, o que não elimina a disposição para o enfrentamento político. Ou seja, à sociedade civil não bastará apenas estar atenta aos acontecimentos, mas agir de modo decisivo contra esse golpismo disseminado, que inserindo-se nas frestas da ignorância política, promete nos fazer recuar em nosso Estado democrático de direito décadas a fio.

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Esta é a quingentésima postagem deste blog, uma saborosa conquista! Não tinha o propósito de que viesse a lume justamente no último dia de 2016, sabia que seria na segunda quinzena de dezembro, não hoje. Seja como for, considero importante lembrar alguns temas que, desde o início, estiveram presentes neste espaço de reflexão: bem-estar social, luta política, ação cultural, mídia democrática, mídia golpista, indignação.

O desenrolar dos acontecimentos deste ano, em especial os do segundo semestre, fizeram com que retomasse mais regularmente este espaço, ainda que para registrar umas poucas linhas de inquietação. Termino o ano estimulado em prosseguir por aqui, escrevendo da maneira que for sobre essas inquietações, que cada vez mais ganham ares de indignação combativa e menos de fria reflexão.

Um ótimo Ano 2017 a todos!


17 dezembro 2016

As dimensões do inusitado



Acabo de concluir um texto que me trouxe muito prazer em escrever, que exigiu pelo menos três meses de pesquisas e escrituras, As dimensões do inusitado - do maravilhoso barroco ao maravilhoso encantado*, e que deverá fazer parte do livro a ser publicado pelo grupo de pesquisa Mnemon, sobre cosplay e outras teatralidades juvenis, organizado pela Mônica Nunes.

O artigo divide-se em duas partes, a primeira discute a narrativa latino-americana como elemento indispensável para a compreensão da história de Nuestra Pátria e do presente como projeto para o futuro, tomando por base a cosmogonia barroca do realismo maravilhoso de Carpentier.

Na segunda parte, destaco o maravilhoso encantado proporcionado pela leitura e representação de Tolkien, a partir das etnografias que o grupo fez junto a eventos revivalistas (vitorianos), medievalistas e retro-futuristas (steamers). Se na primeira parte temos a magia mobilizada para a transformação política, na segunda temos a magia como entretenimento.

No final, a despeito do grande esforço em construir esse painel fragmentado, senti especial prazer em destacar um pensamento tão envolvente que começa em nossa literatura latino-americana e se projeta nos jovens secundaristas, como herdeiros dessa pulsão telúrica fomentada pelo nosso barroco, além de retomar as falas dos jovens que se deliciam com a recriação estética e comportamental na prática das culturas midiatizadas, como os steampunks e os medievalistas.

Abaixo, apresento um pequeno trecho do trabalho. 

(...)
A eleição criativa, plena de simbiose e mestiçagem, fende os entraves impostos pela submissão do sujeito colonizado e possibilita a inserção no tempo mítico, “o prazer do gozo intenso, diferenciado, que rompe com o tempo cronológico e previsível de cada dia, e pelo encontro com outros ‘encantados’ que também fogem da solidão” (PAZ, 2006: p. 190). O relato da cosmogonia latino-americana que se reconfigura desde os primórdios da conquista ibérica ganha seu ritmo, suas cores, seus pontos de vista e se fundem na narrativa do real maravilhoso, tão conectada com o insólito do cotidiano. A cosmogonia barroca apresenta-se menos como um corpo de doutrinas do que a própria condição para o relato maravilhoso, não se conter na mera apreensão dos códigos da memória, mas a partir da pulsão criadora, inventar os códigos do fantástico.

Nesse sentido, para Carpentier, a magia vivenciada em cada canto e em cada momento de sua passagem no Haiti representavam a metonímia do continente americano, consubstanciando um projeto literário onde o gesto político promove uma qualidade essencialista que engloba todo o continente, definida pela fé e pelo milagre. No prefácio de sua novela “O Reino deste Mundo”, Carpentier faz uma breve definição do real maravilhoso enquanto narrativa necessariamente ungida “por toda uma mitologia, acompanhada de hinos mágicos, conservados por todo um povo (...)” e dessa forma, nada mais natural que toda a intensidade do real maravilhoso se manifestasse em sua visita ao Haiti. Em outras palavras, “o artista que não tem a mesma fé que alimenta os habitantes da América Latina, que não crê no milagre e na magia, não poderá captar a complexa realidade do continente, nem seu inesgotável caudal de mitologias” (SOLDÁN, 2008: p. 34).

Essa fé, essa magia perpassam as fecundas mestiçagens que dão a cor, a beleza, a intensidade do relato maravilhoso, que perpassam por exemplo as crônicas testemunhais da opressão colonial de Huamán Poma[1], ou o diário sobre o massacre dos jagunços de Canudos descrito por Euclides da Cunha, cujo relato da resistência sertaneja mobiliza o respeito do autor, “Sejamos justos – há alguma coisa de grande e solene nessa coragem estoica e incoercível, no heroísmo soberano e forte dos nossos rudes patrícios transviados e cada vez mais acredito que a mais bela vitória, a conquista real consistirá no incorporá-los, amanhã, em breve, definitivamente, à nossa existência política” (CUNHA, 2013, p.108).
(...)



[1] Conforme Carlos Araníbar, Huamán Poma foi um contestador e andarilho filho dos Andes, que viveu no século XVI e expressava os males da invasão espanhola em imagens e palavras, “emparelha texto-figura e como cara e coroa de uma velha medalha, nos oferece duas versões paralelas: desenhos para o analfabeto, letras para quem sabe ler” (ARANÍBAR, 2015, p. 9).
* N.A. - O texto foi renomeado na revisão gráfica e ficou De Carpentier a Tolkien: do maravilhoso barroco ao maravilhoso encantado.


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Também ontem, em minha página do facebook, republiquei um trecho de Pedro Páramo, depois de quatro anos. Tinha acabado de fazer a leitura, quando, ainda tomado pela beleza do texto, destaquei um pequeno trecho que reproduzo abaixo.

"E sua alma? Onde você acha que ela foi?
Deve estar vagando pela terra como tantas outras, procurando viventes que rezem por ela. Talvez me odeie pelos maus tratos que lhe dei, mas isso não me preocupa mais. Descansei do vício dos seus remorsos. Ela me amargurava até o pouco que eu comia e tornava as minhas noites insuportáveis; enchendo-as de pensamentos inquietos, com figuras de condenados e outras coisas assim. Quando me sentei para morrer, ela implorou que eu me levantasse e continuasse arrastando a vida, como se ainda esperasse um milagre que me limpasse das culpas. Não fiz nem sequer uma tentativa: 'Aqui termina o caminho', disse ela. 'Já não tenho forças para mais'. E abri a boca para que fosse embora. E ela foi. Senti quando caiu nas minhas mãos o filete de sangue com que estava amarrada ao meu coração".

(Pedro Páramo, de Juan Rulfo)



28 novembro 2016

Fidel encontra Asturias

Triunfo da Revolução, Diego Rivera 


"A impressão dos bairros pobres àquela hora da noite era de infinita solidão, de uma miséria suja com restos de abandono oriental, selada pelo fatalismo religioso que fazia dela o que era por vontade de Deus. As saídas de água arrastavam a lua ao rés do chão, e a água de beber corria pelos encanamentos contando as horas sem fim de um povo que se acreditava condenado à escravidão e ao vício".

(O Senhor Presidente, por Miguel Ángel Asturias)


Tenho a felicidade de encontrar uma nova edição em português deste autor maravilhoso, que nos abraça com os matizes do barroco latino-americano. Como grande escritor, participou do primeiro governo democrático popular de nossa América, de Jacobo Árbenz, deposto brutalmente pela United Fruit e pela CIA, em 1954. As mesmas insipientes acusações utilizadas mais tarde contra João Goulart, Juan Bosch, Juan José Torres, Salvador Allende, reforma agrária, nacionalização dos meios de produção e prejuízo dos interesses econômicos estadunidenses.


As coisas se juntam em um mosaico febril e lacerado, como a narrativa de O Senhor Presidente: pois anteontem foi a morte de Fidel Castro, chamado por aqui de ditador. Vejo o que a Revolução Cubana fez e o que a Revolução Guatemalteca foi impedida de fazer; a dignidade e a altivez presente em um povo, a mesma dignidade e altivez arrancadas dos desígnios do outro.


15 novembro 2016

Despovoar pela miséria



Houve um tempo em que me empenhei na luta pela denúncia do jornalismo esgoto, ou, mais conhecido na Argentina, jornalismo de guerra. Como disse aqui há algumas semanas, este blog praticamente começou com postagens questionando a grande mídia patronal. 

Mas também como disse, já não insisto na proposta desse debate, porque não faz mais sentido. Não há razão para lamentar esse 'jornalismo' nascido dos golpes baixos murdoquianos, aqui se aprofundou em sua função desinformativa, está ferido de morte. Não informa, não é criativo, não inspira confiança, tem medo do debate, é parcial no jogo dos interesses corporativos.

Quanto aos sabujos que o alimentam, o fim os apanhará em meio à fina ironia de Lima Barreto, "para fazer o país feliz, precisamos despovoá-lo pela miséria".


14 novembro 2016

O Almirante Negro

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Tão bonito e intrigante conhecer mais uma das histórias negadas em nossa escola "comunista", sobre este marujo indômito, João Cândido, o "Almirante Negro", e sua liderança contra os maus-tratos na marinha.

O jornalista Edmar Morel lançou Revolta da Chibata em 1959, sob o governo democrático de Juscelino Kubitschek, e para ele João Cândido foi o "herói da ralé", termo que descreve um estrato social retomado em importante obra contemporânea pelo sociólogo Jessé Souza (Ralé Brasileira).

Sobre João Cândido, vale uma descrição de Morel que soa muito atual: "O Congresso Nacional e o governo, incapazes de uma reação ante o poderio de fogo do Minas Gerais, que comandava a esquadra sublevada, em troca da magnitude do negro admirável que deixou de arrasar a Capital Federal, anistiou o herói para, em seguida, num ato de felonia, tentar assassiná-lo no fundo de uma masmorra da era medieval".


Num momento de indigência política patrocinada por uma canalha golpista, vale a pena retomarmos o valor da luta política de nossas autênticas referências históricas.  



03 novembro 2016

Não conseguirão!



Os ataques aos direitos constitucionais, sob a batuta do poder executivo, respaldados por um poder judiciário anódino, com o apoio ruidoso dos órgãos de segurança e silencioso da mídia corporativa, expõem o esquema brutal de demolição do estado democrático de direito aqui, na Argentina, no México, as três maiores economias do continente.

Terra arrasada para que sejamos transformados em sucursais dos interesses do grande capital e danem-se as consequências. Já não se fala mais em recuperação econômica; já não chama mais atenção a desfaçatez das ações e dos argumentos desses governantes sem expressão, pois já não prestam mais contas para a população, mas para outros agentes. Tudo não passa do vazio habitado pela ausência.

Persistirão em quebrantar o espírito de luta da nossa gente, em desestabilizar e colonizar nossa subjetividade.

Não conseguirão.


02 novembro 2016

Os dados estão jogados



A investida político-jurídico-midiática contra as lideranças populares, tanto lá na Argentina como cá no Brasil, não ocorre por acaso.

Para essa elite que não aprendeu nada com a história, o poder a qualquer preço respalda a violência para se impor. 

Neste momento, não há argumentos, não existe negociação política. Prisioneira do tempo cronométrico, ela se esvazia na ambição e perde-se no labirinto da sua solidão.

Mas há os que persistem na luta pelo tempo que engendra, o tempo do mito, da utopia, com o desejo de transformá-lo em presente puro.

É quando, nas palavras de Octavio Paz, "o ser humano rompe a solidão e volta a ser um com a criação".

Não está longe o tempo em que compreenderemos o vazio que Macri e Temer representam.


12 outubro 2016

A luta nas escolas




As falas da luta e da ocupação dos secundaristas. Mais um livrinho, A Poética dos Direitos Humanos - Perifatividade nas Escolas, vol. III, produzido pelo coletivo Perifatividade, lá do fundão do Ipiranga, que inclui textos de jovens poetas e registros das ocupações de duas escolas públicas, E.E.Diadema e E.E.Raul Fonseca, com direito a um pequeno documentário em DVD. 

Estes jovens fazem história, ao mesmo tempo que vivem o momento encarando as adversidades coletivamente. Se atrevem a resistir por suas forças, a enfrentar um governo que não dialoga e, covardemente, envia seu aparato policial para aplacar com violência o ato de cidadania.

A escola pública em São Paulo nunca esteve tão ameaçada de desaparecer!
 
Também enfrentam com dignidade o silêncio de uma mídia patronal moralmente falida que não esclarece os fatos, que os ignora como se não existissem e dessa forma, cumpre seu mórbido papel em um golpe que não parece ter fim, preocupada com sua sobrevivência.

Mas voltemos aos jovens secundaristas, isolados em suas utopias maravilhosas, contagiantes. Já não é mais tempo de histórias de contos de fadas, mas de luta pelas utopias em plena realidade. E elas se forjam e se recriam no realismo maravilhoso ao qual descendemos desde o princípio, na construção de nosso futuro.

Tudo em concordância com a luta, a ousadia, a poesia criativa sob as ocupações. E ficam as palavras de um desses jovens inquietos, Jhon, da EE Raul Fonseca:

VIVER COMO ESTUDANTE

Viver como estudante,
Ser tratado como desinformado,
Mas a briga é de cachorro grande
E não queremos ser ditados.
Na luta nós entramos,
Garanto, não somos covardes
Todos juntos lutaremos
Pois já cansamos de ficar no aguarde!
Cada vez mais nós aumentamos
Estamos para todos os lados
Somos todos secundaristas
Mas não aceitamos ser secundários.
Não finja não nos ver,
Isso não é utopia
queremos educação de qualidade
nesta classista democracia!


05 outubro 2016

Sobre o avanço dos retrocessos


E assim, por obra de um governo golpista ilegítimo - é bom que lembremos sempre isso - pautado por um ministério de serras, mendoncinhas e padilhas, corruptos até a medula e no mínimo inaptos para as funções a que foram designados, somos levados pelos meios corporativos a acreditar que teremos um horizonte promissor com a retomada da política econômica cíclica, onde prevalecem privatizações, arrocho salarial, cortes sociais, eliminação de serviços públicos, congelamento de investimentos etc etc, o mesmo remédio que se aplica sem nenhum êxito na crise europeia, para ficar neste exemplo contemporâneo.

Os interesses estão explícitos, em nosso caso trata-se de uma transição descarada, porque não legitimada nas urnas, e que beneficiará um punhado, dos barões das mídias corporativas, ao multiplicar as pagas com a publicidade pública, aos coronéis da Fiesp, surfando nas falácias da redução de impostos. Esse governo, autoritário, sem perfil e sem projeto, nos conduzirá ao ocaso em poucos meses, financiando com recursos públicos a entrega das nossas riquezas e nossos meios produtivos à sanha especulativa do mercado. E como no governo do acadêmico impoluto FHC, retornaremos ao mísero destino de nossa dependência econômica.

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O blog completa hoje oito anos de contínua produção, alguns momentos mais inspirados, outros nem tanto, mas sempre com o desejo de oferecer uma discussão sincera sobre temas que estimulam a reflexão. Assim tem sido principalmente com os caminhos e descaminhos da mídia patronal, cujo discurso disseminado por seus múltiplos veículos já não mais esconde a função de incorporar os interesses corporativos, seja qual for o custo. Com esses lamentáveis desdobramentos, o blog que desde seu início se bate de maneira incisiva pela democracia nas comunicações, prosseguirá neste que se transformou no seu inesperado tema principal. 

Triste ver o retrocesso a que chegamos, aqui na América Latina, mas quem disse que as favas estão contadas?

  

24 setembro 2016

O espírito da Casa Grande

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Vivemos o tempo de um governo medíocre. Seu caráter não permitirá nem em sonhos a chamada 'integração do país', expressa pelo golpista mor, porque o espírito deste governo é a arrogância do grande latifúndio, que marcou a vida social, política e econômica de nossa terra desde o começo. O latifúndio em sua feição mais rude no modo de produção, a terra explorada com mão de obra barata e sem direitos; o latifúndio em sua autossuficiência secular, imerso na tristeza de seu silêncio e de seu isolamento.

Não podemos esperar nada deste governo além da expressão de sua mediocridade.



23 setembro 2016

O Barroco e a mestiçagem

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Cansado mas feliz, renascido como educador e cidadão por Gilberto Freyre e os debates atentos de queridos alunos, dispostos em dar respostas críticas a nossa realidade social. 

É o embate das ideias na sala de aula, a reflexão sobre a nossa formação, o desejo em compreender o mundo que nos cerca, tudo o que nos querem calar. 

Falamos das ideologias dominantes sem medo, ousamos compreender nossa mestiçagem pelo abuso dos direitos, reencontramos a feitura barroca de nosso insólito realismo maravilhoso.



18 setembro 2016

Sobre a Casa Grande e Lampião




Cunha livre, Lula perseguido até ser preso, e se podemos compreender os signos das cartas marcadas, o quanto antes. Trata-se de uma ação promovida pelos seculares interesses classistas, incorporados por procuradores embevecidos pelos quinze minutos de sucesso que a mídia corporativa se dispõe a oferecer. Como se o lamurio eugenista de um Nina Rodrigues ou Oliveira Viana ecoasse, determinando a pouca capacidade mental e física dos mestiços. Nosso quintal brasileiro mais uma vez sob o controle impune de mãos corruptas, brancas, machistas, não mais que um punhado de farsantes da Casa Grande. As breves e ainda não consolidadas conquistas de uma população secularmente abandonada, para estes feitores, devem ser esconjuradas e em seguida eliminadas. 

Esse é o bom quintal, quieto e manso, administrado com competência, enquanto a perene miséria da desigualdade social se perpetua. Lá está, no livro Casa Grande e Senzala o registro de Gilberto Freyre: "Era uma dieta, a da Bahia dos Vice-reis, com os seus fidalgos e burgueses ricos vestidos sempre de seda de Gênova, de linhos e algodão da Holanda e da Inglaterra e até de tecidos de ouro importados de Paris e de Lion; era uma dieta, a deles, em que na falta de carne verde se abusava de peixe (...)". E quanto ao restante da população, "surpreende pela má qualidade (nutricional): pela pobreza evidente de proteínas de origem animal (...) pela falta de vitaminas, de cálcio e de outros minerais (...)". É o que desejam como nosso direito, que sobrevivamos em meio ao silêncio e à miséria.

Mas há também uma outra opção, demarcada pelo não menos maravilhoso Graciliano Ramos, quando se refere a Lampião: "Como somos diferentes dele! Perdemos a coragem e perdemos a confiança que tínhamos em nós. Trememos diante dos professores, diante dos chefes e diante dos jornais; e se professores, chefes e jornais adoecem do fígado, não dormimos. Marcamos passo e depois ficamos em posição de sentido". E mais adiante complementa, ao consolar-nos com a ideia de que estão por aí outros Lampiões, e "quando descobrirmos o Brasil, eles serão aproveitados". Contra os mantras da hipocrisia que se atropelam vertiginosamente, a coragem de não nos conservarmos inúteis perante a história.


05 setembro 2016

Fomos milhares nas ruas!

 
 


Ainda uma vez a população saiu às ruas pedindo Fora Temer! Não só movimentos sociais ou coletivos culturais e políticos, mas representações dos vários estratos sociais, das diversas regiões da metrópole. Algo diferia em relação às mobilizações anteriores, uma convicção em assumir as ruas, desejo de compartilhar publicamente a profunda indignação que esse governo golpista promove. 

O que percebi foi uma variedade grande de tendências, mais à esquerda claro, de gente mais velha a jovens das periferias, dentro de um arco amplo de partidos representado por intelectuais e congressistas, e ficou a impressão, não só pelas evidências ao vivo, mas pelas repercussões nas redes sociais, que a luta deverá se prolongar e a engrossar as manifestações das ruas. 

Facilita esse sentimento a truculência da polícia militar e o distanciamento do governo ilegítimo aos anseios populares, uma vez que ele se instalou movido por outros propósitos, que se explicitam a cada dia. Sumiram os parlamentares que urravam pelo impedimento da Dilma, sumiram as análises catastrofistas da crise na mídia corporativa, sumiram os patos sagrados da Fiesp em defesa do sagrado direito do capital. 

Enfim, sumiram todos os canalhas a serviço do golpe, incluindo idiotas menores como os lobões, os frotas, os kataguiris, os gentilis, açuladores via mídia do medo e da bestialidade intelectual. Com o terreno minado, o sentimento republicano foi presa fácil da banalidade proporcionada por uma sucessão de capitães do mato, agora recolhidos à sua mísera insignificância.

Ficam as belas imagens de uma tarde-noite de mobilização e ativismo popular.

  








03 setembro 2016

A vigência do autoritarismo

Concentração do ato contra os cortes em saúde e educação nesta segunda (17), no vão livre do MASP, em São Paulo (SP) - Créditos: Rute Pina/Brasil de Fato
"Los que mueren por la vida, no pueden llamarse muertos
Y a partir de este momento, es prohibido llorarlos"
(Ali Primera)

No ótimo livro de Paula Beiguelman, 'O Pingo de Azeite: a Instauração da Ditadura', em determinado momento acompanhamos a pressão militar ao deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, por seu discurso 'Lisístrata', aludindo ao exército. O Congresso, marcadamente constituído por deputados arenistas, pró-governo, deliberaria em votação sobre a questão, sob forte pressão do regime. Assim descreve a autora sobre os fatos ocorridos em 12 de dezembro de 1969:

"O ambiente no país era de franca contestação ao regime (...) E então, no dia 12 de dezembro, a Câmara dos Deputados fazia sua histórica votação, recusando a licença para processar o deputado. Era uma votação pelo estado de direito e em defesa da instituição parlamentar, e contra o ministro da Justiça e os extremados, partidários do endurecimento, condenado aliás pelos setores mais expressivos das forças armadas".

O resultado foi o ato institucional mais violento da ditadura, o AI-5. O que parece interessante realçar aqui são dois aspectos: 1) Os deputados votaram alinhados aos anseios populares e 2) Os deputados não aceitaram as fortes pressões do regime e votaram soberanos, mesmo sabendo que desencadeariam a ira de Hades.

A plena vigência do autoritarismo militar tratou de eliminar os traços da representação cívica no parlamento (1) e, pior, a instauração de um poder suscetível às vantagens pessoais (2). O poder avassalador da repressão nos dez anos subsequentes restabeleceriam a arbitrariedade e a intolerância peculiares da casa grande, cujas raízes profundas negam, estas sim, nosso desenvolvimento como sociedade livre, soberana e justa.

obs: texto modificado (acréscimo de legenda na foto) em 05.03.2017.



02 setembro 2016

Manoel Bomfim

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Faz muito pouco tempo que entrei em contato com as ideias de Manoel Bomfim, não mais do que cinco anos. Foi mais ou menos na altura do relançamento de seu A América Latina - Males de origem, que passou a integrar minha biblioteca latino-americana. Fiz algumas consultas, lendo pequenos trechos, sem avançar na obra.

Foi neste semestre, graças a um texto de Antonio Cândido, Radicalismos, que retomei Bomfim. Na verdade, inclui o texto no plano de aulas da disciplina que leciono, Filosofia Ética e Contemporaneidade, e por fim me empenho em discutir com os alunos um pouco de suas ideias, como diz Cândido, tão impressionantes para sua época. A articulação de suas ideias é bastante avançada, em especial seu questionamento sobre as ideias então vigentes do pensamento evolucionista. Rechaça os argumentos de inferioridade atribuídos às populações de origem da América Latina - como os incas e aztecas - e aos negros, o malfadado conceito dos mestiços como raças degeneradas. 

O mais emocionante, e onde encontro forte identificação, é quando Bomfim fala da espoliação de nossas terras, "a conduta das grandes nações civilizadas para com os povos fracos, estabelecidos em territórios férteis, tem sido uma só, única e invariável: agredi-los, tiranizá-los, ou destruí-los quando não é possível reduzi-los a colonos dóceis", argumento bastante contemporâneo, que poderíamos associar ao conceito da dependência defendido pelos 'próceres da privatização', Fernando Henrique Cardoso e José Serra. 

Para Antonio Cândido, Manoel Bomfim chega ao limite do que considera ser um radical. Conforme o texto, Bomfim tinha consciência profunda sobre "a marginalização do povo, o perigo imperialista, a mentalidade espoliadora em relação ao trabalho, visto como prolongamento da escravidão", ou seja, ela sabia das condições miseráveis da população, da ameaça dos países mais poderosos (imperialistas) às riquezas do Brasil e a exploração do trabalho escravo pelas elites. 

Toda essa consciência, na compreensão de Antonio Cândido, permitiria que Bomfim avançasse em suas ideias, agindo não só apenas como um intelectual radical, mas como um revolucionário. Mas, como vemos no texto, "as conseqüências revolucionárias se atenuaram em benefício de uma visão ilustrada, segundo a qual a instrução seria remédio suficiente para redimir as massas". Ou seja, o radicalismo de Bomfim não teve consequências na prática, ficou apenas descrito em seus textos, acreditando que as massas poderiam se influenciar e se mobilizar a partir de suas ideias.

Manoel Bomfim não era propriamente 'um excluído', tinha formação eclética, sofisticada, e atuava também como médico. Mas teve a sensibilidade de perceber a realidade de seu povo, tal como Joaquim Nabuco, outra das personagens brilhantemente analisadas por Cândido em seu texto, da qual falarei em outra ocasião.


31 agosto 2016

A escalada da insensatez



Repugnante acompanhar nestes dias a silenciosa recomposição de uma nação colonizada, à mercê dos capitães do mato que trabalham pelos seus medíocres interesses e pelos do grande capital.

De uma tacada vamos perdendo a representação do voto, as conquistas sociais e trabalhistas duramente implementadas, a posse de nossas riquezas, a fé nas instituições.

Avançamos para o nosso fracasso como nação livre e autônoma, incapazes de consagrar o Estado Democrático de direito ao alcance de todos.


17 agosto 2016

A ação neoliberal

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Um amplo e pedagógico ensaio sobre o neoliberalismo, mostrando como ele se robustece ao ser incorporado em suas práticas econômicas e ideológicas pelo Estado. Destaco abaixo alguns trechos desta obra que chega em boa hora, recém-lançada pela Boitempo aqui no Brasil. 


"A ação coletiva se tornou mais difícil, porque os indivíduos são submetidos a um regime de concorrência em todos os níveis. As formas de gestão na empresa, o desemprego e a precariedade, a dúvida e a avaliação, são poderosas alavancas de concorrência interindividual e definem novos modos de subjetivação. A polarização entre os que desistem e os que são bem-sucedidos mina a solidariedade e a cidadania. Abstenção eleitoral, dessindicalização, racismo, tudo parece conduzir à destruição das condições do coletivo e, por consequência, ao enfraquecimento da capacidade de agir contra o neoliberalismo". (prefácio)

"A historiografia descreve como os think tanks dos evangelistas do mercado permitiram lançar o assalto aos grandes partidos de direita, apoiando-se numa imprensa dependente dos meios empresariais, e como, pouco a pouco, as 'idéias modernas' do mercado e da globalização fizeram refluir e definhar os sistemas ideológicos contrários, a começar pela social-democracia". (p.205/206)

"O Estado não se retira, mas curva-se às novas condições que contribuiu para instaurar. A construção política das finanças globais é a melhor demonstração disso. É com os recursos do Estado, e com uma retórica em geral muito tradicional (o interesse nacional, a segurança do país, o bem do povo etc) que os governos, em nome de uma concorrência que eles mesmos desejaram e de uma finança global que eles mesmos construíram, conduzem políticas vantajosas para as empresas e desvantajosas para os assalariados de seus países". (p.282)


Vale muito a pena a leitura para acumularmos alguma espécie de resistência política em franco declínio, e de se compreender, de modo claro e direto, como o neoliberalismo remodela nossa existência ao instituir uma racionalidade voltada para a "generalização da concorrência como norma de conduta e da empresa como modelo de subjetivação". Na prática, uma interessante interpretação do brutal jogo político que, ao longo dos últimos meses na Argentina e aqui no Brasil, golpeia o estado de direito, elimina conquistas trabalhistas, desmobiliza as ações sociais. 


A NOVA RAZÃO DO MUNDO, por Pierre Dardot e Christian Laval, ed. Boitempo, 2016.


01 agosto 2016

Largo da Batata: Fora Temer!



Em novo ato promovido por movimentos sociais contra o governo golpista de Michel Temer, milhares de pessoas se concentraram no largo da Batata, em Pinheiros, na tarde do último domingo de julho, sob um belíssimo dia de sol e céu azul. Na caminhada até a praça Panamericana, uma multidão de mais de 60 mil pessoas ofereceram o brutal contraste com as pífias centenas que atenderam o chamado das entidades de direita para acorrer à avenida Paulista e defender o golpe, ou talvez como prefiram, o 'fora Dilma'.

Nunca é demais acrescentar o prazer em participar desses eventos, em comunhão com a população mobilizada em defesa dos direitos sociais, pela democracia. É certo que na atual conjuntura, parece muito difícil reverter o cenário político de golpe constitucional. O grande capital financeiro, fortemente amparado pelas corporações midiáticas e avalizado pelo poder judiciário, investiu pesadamente para que a engrenagem gire conforme seus desejos. 

Assim, a sangria desatada da economia torna-se um preço pequeno e necessário para saciar a ambição de sempre das classes dominantes. A luta nas ruas representa uma forma de resistência indispensável para condenar esse moderno procedimento golpista, que dispensa mediadores políticos para ser manejado diretamente pelos donos do capital, e denunciá-lo ao mundo. Não há maneira mais ativa e contundente de enfrentar a impotência momentânea, registrando para hoje e para a história a miséria dos ideais dessa gente obscura.

Abaixo, alguns instantes da grande mobilização de ontem.























30 julho 2016

Companhia

Resultado de imagem para republicanos espanhóis

Ontem à mesa de jantar, meu pai se assemelhava a um republicano espanhol durante a guerra civil. Rosto barbado, o boné parcialmente tombado à esquerda, o blusão azul, o ar sério de quem aguarda notícias da batalha de Teruel. Bonita imagem, a placidez em meio aos renhidos combates da vida, entretido em sorver a sopa de feijão. Passei a tarde em sua companhia, antecipando a visita dos domingos. O dia frio e cinzento nos recebeu bem, se desenrolou em um convívio sereno, de boas e serenas conversas. À tarde fomos ao barbeiro, a poucas quadras de sua casa, em uma rua que percorri por anos para ir e vir do grupo escolar. 

O entorno não está muito diferente, por alguma razão praticamente não se erigiu nenhum edifício, é possível identificar parte das casinhas antigas perfiladas, esquecidas. Uma rua que preservou a estranha ausência humana, na época um tanto incômoda para uma criança solitária, com a bolsa da escola. Tomava aquele caminho logo pela manhã e retomava as cores da vida quando me aproximava do colégio, hoje destroçado pela indiferença das autoridades. Atravessar aquele trecho me remetia à desolação, ao primeiro contato com o silêncio artificial do no man's land do front de Teruel, impressões que permanecem. 

Mas retorno à visão de meu pai, o ralo cabelo branco sendo aparado pelo barbeiro negro, a conversa entre eles a girar em círculos imprecisos, marcada pela memória fragmentada dos fatos. Recordei de sua companhia quando me levou ao barbeiro logo que passei no vestibular para engenharia. Ele fez questão de estar comigo no gesto simbólico do barbeiro passar máquina zero e rapelar meu crânio. Foi este apenas um dos vários ritos de passagem em que esteve comigo.

Nestes tempos de aposentadoria plena, tem sido prazeroso desfrutar os momentos com o pai saudável, que como nunca antes sente a importância da presença familiar. As conversas fluem, em alguns momentos podem tornar-se espiraladas, alternadas por loopings de dispersão, mas sempre marcadas por um tom especial de ternura. Vejo nesse progressivo enevoamento da memória o desvelar de um homem generoso, que encontrou sua maneira de curtir o tempo com atividades deleitosas: comer, dormir e apreciar o convívio com as pessoas queridas.  


(modificado, 11h de 31.07.2016; segunda modificação, 20h de 02.09.2016)


23 julho 2016

Não mais denunciar o que já não existe



Já não se trata mais de fazer uma análise do discurso midiático. Quem sabe dez ou quinze anos atrás seria relevante discutir os descaminhos das distorções assumidas e transmitidas como verdades. De minha parte, faço o esforço de questionar a arrogância do oligopólio midiático brasileiro, que nos últimos dois anos ultrapassou todos os limites do bom senso.

Ou seja, transformou-se em outra coisa, em agência publicitária dos interesses conservadores, em panfleto ideológico da ruptura institucional, em ponta de lança da mobilização golpista, ou tudo isso junto, perdendo a meu ver completamente sua capacidade de mediação da realidade, de avaliar de modo equânime os acontecimentos. O nível de desinformação chegou a tal ponto que os veículos dessa mídia corporativa não se vexam em integrar um pool noticioso onde consolidam seus interesses, articulados a outros segmentos da sociedade civil, notoriamente o judiciário, a Fiesp, lideranças neopentecostais, congressistas conservadores ou ideologicamente de direita.

Chegou a tal ponto que na semana passada uma enquete do Datafolha cujos dados foram deliberadamente modificados pelo jornal Folha de SP, em favor do governo interino e ilegítimo. Um tipo de ação que parece não mais promover indignação na classe, e que aparentemente acaba assimilada naturalmente pela sociedade. Foi um ato manipulador, eticamente condenável, mas que passou praticamente sem grandes contestações, salvo nas redes sociais. Esta a mídia a que estamos sujeitos e que orquestra o mundo de seus desejos, sem qualquer pudor, sem nenhum questionamento.

Ao contrário, o jornalismo parece concorrer entre si com o objetivo de, para alcançar os fins propostos por seus donos, valer-se de qualquer expediente. Trata-se de uma corrida insana de subordinados em sua canalhice subserviente que incorporam com fé. Tudo parece permitido, ao tempo em que o contraditório é descartado. A opinião crítica não mais se sustenta nesse jogo de interesses patronais, articulados a golpistas das mais variadas cepas, que atuam como se toda e qualquer violência moral fosse possível.

Assumem os ministérios indivíduos que respondem a processos na justiça; a visibilidade midiática projeta analistas que repercutem falsas expectativas sobre a retomada do crescimento econômico, enquanto os direitos trabalhistas são paulatinamente destroçados. A escola agora passa a ser um espaço em que a análise crítica deve ser descartada, em nome de uma neutralidade impossível no aprendizado; a única ideologia permitida passa a ser a do quietismo.

De modo que retorno ao início, não há mais razão para se perder tempo com esse falso jornalismo que se impõe acintosamente, como provável consequência da decadência moral desses velhacos que comandam o oligopólio midiático. Talvez seja importante acompanhar qual o destino dessa mídia tradicional que não soube acompanhar os avanços no processo democrático proporcionado pelas redes sociais, que eliminou a centralização ao disseminar a interação das ideias e denunciar a manipulação da notícia. A crise econômica converte cada veículo em massa falida a ser absorvida por corporações mais atentas ao espírito do negócio. 




a primeira foto, apresentada pela mídia corporativa, um terrorista islâmico; 
a segunda foto, ampliada, não mais que um jogador de paintball