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| Chas Gerretesen |
As
turbulências pelo mundo não cessam: segue a guerra entre Rússia e Ucrânia, sem
qualquer previsão de um cessar-fogo. Os russos tomaram os territórios que
desejavam, possuem melhor armamento e mais tropas, mas os ucranianos lutam sem
dúvida com apoio tecnológico da OTAN. Não sei de que maneira a continuidade dos
combates possa ajudar um lado ou outro, mas é evidente o interesse dos Estados
Unidos em manter essa zona de atrito com a Rússia, alimentando o fogo. No
Oriente Médio, o Irã deu as cartas nas negociações de cessar-fogo com os
Estados Unidos, impôs reparações econômicas e descongelamento de ativos que
foram aceitos. Impôs também o fim da invasão israelense no sul do Líbano, que
não foi cumprido e por essa razão o acordo voltou à estaca zero. O Irã voltou a
fechar o estreito de Ormuz e as negociações voltam à mesa, sem que haja
confiança para um longo acordo de paz.
Dia nublado e frio. Vou preparar meu almoço, finalizar os preparativos para a viagem com Mônica para Portugal e Espanha. Antes, devo encaminhar meu livro de não-ficção Trinta Anos esta Noite, para a chamada da Urutau. A copa está em pleno movimento, já está em sua fase de definições da primeira fase, e confesso, ainda não me entusiasma – a mim e de algum modo às pessoas de um modo geral. Há um torcer volátil, que contagia como uma febre que vem e desaparece. Sinto-me incapaz de vibrar com um espetáculo perpetrado por milhonários, que não sustentam a mais vaga ideia de nação. Vejo os jogadores do Haiti, ou do Congo, e me pergunto, o que fazem ali? Há algo de chato e maçante desde a confecção do calendário, passando pela realização em si dos jogos, dessa novidade horrenda da paralização por hidratação dos jogadores, da enorme publicidade das bets, da autocracia dos chefes da Fifa, que tentaram impedir entrevistas em espanhol após os jogos, ora bolas.
Um bando de canalhas, que não se incomodam com a geopolítica cruel perpetrada por Estados Unidos e Israel, mas que pelos mesmos crimes, punem a Rússia. O futebol está sem graça enquanto perde sua leveza e sua memória e aufere lucros formidáveis.







