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| Frame do filme O Terceiro Homem, 1949 |
Chá nas Montanhas
Trató de escuchar la flauta, pero oyó sólo el viento contra sus oídos
03 março 2026
Bertrand Russell
25 fevereiro 2026
Morrer, viver, o romance
06 fevereiro 2026
Um futuro de lutas políticas
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| Felix Nussbaum, Der tolle Platz, 1931 |
As coisas se arranjam como
podem e a vida segue sem percalços. Particularmente não concordo com o
pensamento de que as coisas se arranjem por si, elas como circunstâncias se
vinculam e se desenvolvem de acordo com a ação humana, de modo que somos, eu
sou responsável pelos desdobramentos suaves e não menos vertiginosos deste
início de ano. No contexto internacional, o mundo segue a reboque de um canalha
sem escrúpulos, que se acredita um bom negociante. Com isso, atrela a nação
estadunidense aos seus caprichos, e por consequência, o mundo, ou parte dele.
Nossa esperança é a serenidade diplomática chinesa, que com a sabedoria de uma
cultura milenar, vai ajustando as arestas desse polígono desajustado,
conquistando espaço e... mercado. Acredito que quando os estadunidenses
despertarem desse pesadelo moral, político e econômico, será muito tarde. Para
nós aqui no Brasil, torna-se imprescindível a vitória eleitoral em novembro,
para que nossas políticas sociais, no campo interno, e nossa diplomacia, no
externo, consolidem um crescimento e mais além, uma nação autônoma e pujante. A
direita segue batendo cabeças, não dispõe de um projeto político para o país,
não tem envergadura para conduzir uma economia sofisticada como a nossa e o que
é pior, chafurda em seu conservadorismo de costumes que ameaça condenar nossas
conquistas sociais e culturais. Tudo em nome de princípios doutrinários de
duvidosa consistência moral. Apela para falsos discursos que nada ou pouco têm
de cristãos, e assim tenta avançar agitando a cruz de Cristo enquanto destitui
o povo de suas conquistas, de seus direitos, de suas verdadeiras crenças. Enfim, minha é a firme expectativa de
que a compreensão entre os seres humanos se restabeleça pela solidariedade,
condenando de uma vez por todas esse excesso de violência, de supremacismo, de execrável liberalismo.
(ao som de Makyoum Ghali,
Djeloui)
05 fevereiro 2026
Pesquisas em Memória
| O livro a ser lançado dia 9 |
Uma pausa em nossas preocupações com o mundo: na próxima segunda-feira, dia 9, nosso grupo de pesquisa, o Mnemon, lança Pesquisas em Memória, Comunicação e Consumo, no já conhecido Bar Balcão. São 21 autores, nem todos estarão presentes, que desfilam artigos referentes a suas pesquisas de pós-graduação ou textos elaborados ao longo das discussões realizadas, nestes mais de 10 anos de existência. Os textos abarcam temáticas variadas, do espaço urbano ao processo histórico, da saúde mental ao consumo de alimentos, da moda à cultura pop. Um momento significativo na história do grupo, em que estaremos juntos para retomar as muitas lembranças e reencontrarmos amigos e alunos da vida.
Venha participar desse momento e comemorar com a gente!
28 janeiro 2026
Entre céus e desertos
Um momento de desejada abstração: fechei os olhos e me deixei levar pelo silêncio da sala de espera da dermatologista. A música melodiosa, instrumental. Encostei a cabeça na parede e não demorou para visualizar o caravançará descrito em um dos meus contos, a profusão de cores, os desenhos nos tecidos, os macramês, as bolsas, os utensílios pensos nos imensos camelos em fila, mulheres e homens silenciosos, indiferentes ao sol abrasador... Cobriam-se com turbantes de linho que envolviam a cabeça e o rosto, avançavam ao ritmo balouçante de cada camelo, senhores de seu tempo... Logo a dúvida, não seriam figurantes de um conto de Bowles?... Seguiam por caminhos áridos sob o céu que os protegia, para abastecer o bazar que regurgitava de gente e mercadorias, oriundas dos vários cantos do deserto... Ou uma cena das memórias de Victor Serge em seu exílio, o caravançará atravessando as dimensões profundas da estepe da Ásia Central... Orenburg... e nas cercanias da cidade, o cemitério muçulmano, habitado por crianças abandonadas e bandidos à espreita de uma ocasião... Crianças e bandidos não se entendiam, disputavam as mesmas mercadorias, migalhas em um mundo cujo valor de troca dos furtos garantia a comida da sobrevivência...
19 janeiro 2026
Entre magos e demônios
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| Quatro magos comunistas |
O mês passa e mal nos damos conta. As festividades no início e a
viagem no meio fizeram de janeiro, até aqui, um tempo de sossego e desfrute.
Tudo isso à revelia dos transtornados acontecimentos políticos que varrem o
planeta, comandados pelo delirante Trump e sua camarilha. Depois do
sequestro de Maduro em plena Caracas, com a morte da guarda cubana (mas,
segundo informações, com elevadas baixas não confirmadas do lado
estadunidense), sobrevém o incêndio sem controle da Patagônia (segundo informes
vindos da Argentina, provocados criminosamente) e as ameaças do governo Trump
em atacar e tomar a Groelândia. Durma-se com um barulho desses, como diria meu bom amigo Kruger. Por isso tento
relevar essa tormenta diabólica com cinema e música ao lado de Moniquinha. No mais tudo muito bem, com minha mãe e minha irmã. Passo o
final do domingo em absoluto far niente, lendo e escrevendo, agora, depois do
banho, só de calção, em sintonia com o agradável do clima. O calor estava
implacável na semana passada e nos primeiros dias de litoral, felizmente amainou
bastante, as chuvas chegaram e hoje está maneiro. Fiz algumas correções
pontuais em Morrer, viver, com a esperança de conseguir publicar neste ano.
03 janeiro 2026
Um mundo sem regras
| Berkeley Protest poster, 1970 |
17 dezembro 2025
Tempo das hienas
Foi com
um gesto obscuro,
à borda de uma cova
saboreando os restos de uma ossada
que a hiena mais astuta
observou ao longe
o pavor dos outros animais.
Houve um breve momento,
a covardia misturada ao pavor,
que fez com que os animais, todos
apenas recuassem
e as hienas se sentissem convidadas,
um butim farto as aguardava
e aproveitaram a frágil organização
dos bichos, todos
que perderam o sangue frio,
o desejo de lutar.
Com sua mínima sensibilidade em interpretar o mundo
as hienas avançaram
souberam unir-se para devorar
as carnes de suas presas, todas
uma festança de grunhidos e uivos
e a floresta nunca mais foi a mesma.
(De um compêndio poético encontrado em meio às ruínas da civilização)




