19 agosto 2026

Lorca, 90



 

Lorca chega a Granada no dia 13 de julho, a crise política se acirra com o assassinato do líder monárquico Calvo Sotelo e a guerra civil parece iminente. Cancela um encontro de despedida com amigos em Madri, se dirige à estação de trem. Deseja se despedir dos pais, irá para o México, encontrar coma atriz espanhola Margarita Xirgu. Estaria sem dúvida mais seguro em Madri, um escritor falangista sugere que vá então para Biarritz, na França. Sua resposta, "o que faria em Biarritz? Em Granada trabalho". É recebido pela família Rosales, se instala no segundo piso da casa, praticamente recluso, mal encontrando Luis, seu amigo, e os irmãos. Três dias mais tarde, Lorca é detido na casa dos Rosales por Ramón Ruiz Alonso, ex-deputado da CEDA - a Confederação Espanhola de Direitas Autônomas, nome pomposo para designar um agrupamento político golpista. Trata-se de um grande operativo, conforme descreve Ian Gibson em seu livro O assassinato de Garcia Lorca, "a rua Angulo não somente foi cercada, como vários homens armados se postaram no alto das casas vizinhas", às ordens do chefe do governo civil, o falangista José Valdés Guzmán e lavaram Lorca para o Comando Militar. Luis Rosales decide interpelar Valdés. que lhes garantiu que nada aconteceria a Federico. Nos dois dias em que permaneceu detido antes de ser fuzilado, temos inúmeros depoimentos captados por Ian Gibson sobre os desdobramentso dos fatos. A leitura do livro é fascinante, inclusive para o leitor se informar a respeito dos acontecimentos da guerra civil na região de Granada. De acordo com Gibson, "o poeta não morreu sozinho. Acomanhavam-no, naquele trágico momento, outras três vítimas da repressão exercida em Granada". Federico Garcia Lorca é fuzilado em um local chamado Fuente Grande, na estrada de Viznar, próximo a Granada, na madrugada do dia 18 de agosto de 1936, um mês após o início da guerra civil.


Gacela de la muerte oscura

Quiero dormir el sueño de las manzanas,
alejarme del tumulto de los cementerios.
Quiero dormir el sueño de aquel niño
que quería cortarse el corazón en alta mar.

No quiero que me repitan
que los muertos no pierden la sangre;
que la boca podrida sigue pidiendo agua.

No quiero enterarme
de los martirios que da la hierba,
ni de la luna con boca de serpiente
que trabaja antes del amanecer.

Quiero dormir un rato,
un rato, un minuto, un siglo;
pero que todos sepan que no he muerto;
que hay un establo de oro en mis labios;
que soy el pequeño amigo del viento Oeste;
que soy la sombra inmensa de mis lágrimas.

Cúbreme por la aurora con un velo,
porque me arrojará puñados de hormigas,
y moja con agua dura mis zapatos
para que resbale la pinza de su alacrán.

Porque quiero dormir el sueño de las manzanas
para aprender un llanto que me limpie de tierra;
porque quiero vivir con aquel niño oscuro
que quería cortarse el corazón en alta mar.

Federico García Lorca

(De: Diván del Tamarit – 1936. Recogido en: Federico García Lorca – Poesía completa
Ed. Galaxia Gutenberg – 2011)



15 agosto 2026

Morrer, viver - lançamento


Morrer, Viver, o novo romance

 

É o próximo lançamento, Morrer, viver, pela editora Ópera. A edição ficou muito bonita e penso que o texto representa muito do que desejei relatar. Com referência aos derradeiros dias de meu pai, a narrativa traz a morte e o prosseguimento da vida cotidiana do narrador. 

Conforme descrito na orelha do livro, O leitor acompanha a cronologia da existência em um passo lento e paciente, comungada nos painéis sucessivos onde se inscreve a passagem do tempo e se relata o suspiro longo e profundo que abarca tanto a morte como a vida.  

É a síntese possível, o resto fica por conta do leitor. 

Será dia 31, no velho Bar Balcão, 150, a partir das 18h.

Será um prazer compartilhar este momento com vocês, apareça lá!