31 janeiro 2011

O Tempo pacificador




por Mônica Rebecca Ferrari Nunes
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Chegou cedo para o encontro. Abriu seu caderno de notas e com sua letra miúda, espremida entre linhas, escrevinhou duas ou três palavras.

Tinha descoberto o Tempo. Entregou-se, a princípio, comedidamente. Absorta, aos bocados. Primeiro seu sorriso, depois seus olhos, os cabelos, a cabeça toda enterrada no tempo morno, ela, à deriva.

Os dedos das mãos em repouso sobre o Tempo já escoando pela tarde azul, airosa.

Adormecer, acordar, sorrir e olhar para os olhos úmidos, globulosos, claros, prontos a tomá-la para sempre.

O corpo em séria trincheira decisiva - tão recôndito quanto exposto. Posto ali, absoluto.


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