21 agosto 2011

Um canto solene




Fazer qualquer coisa é melhor do que o tédio das imagens e a miserabilidade das narrativas esportivas no domingo. Brincar com os filhos, visitar a feirinha de artesanato, ouvir música, escrever uma poesia, tomar um café com amigos, descansar na rede, sonhando com o amor que alumbra a vida. Qualquer coisa vale, tentar ler a página de um livro, navegar na internet, dar um mergulho no mar, passear com o cachorro... menos assistir a descrição das partidas de futebol, as entrevistas, o show de entretenimento fútil e repetitivo, sob o risco de dissolver a autonomia que temos para a compreensão do mundo, e a certeza de alimentarmos a ganância de uns poucos barões da comunicação. 

Nada ganhamos com nosso sagrado tempo morto diante dessa programação televisiva, nem com a vitória de nosso time, tampouco com as videocassetadas. Nada que inspire ou devolva o alento, apenas o choque voraz, que embaralha as certezas e agrava os temores. Um ritual lânguido, que reforça o torpor e conduz ao vazio da alma, o afundamento no nada e a desolação, antes da segunda-feira de batente. 

Enquanto me proponho em levantar ainda uma vez esta discussão, aqui neste blogue, um pouco desacorçoado, mas sem perder a esperança de que saberemos romper aos bocados a pressão desse garrote infame, ouço ali, vindo do prédio em reformas, uma voz solitária que se destaca, um canto solene, ritmado, inebriante, na tarde fria e apagada da metrópole. Um homem que tece as loas enquanto reafirma sua cultura, em meio aos ruídos destoantes, essa sofreguidão sonora que estronda a selvageria dos gestos, almejando o progresso. 

Esse mesmo progresso descrito por Benjamin, a tormenta que nos impulsiona de costas para o futuro, enquanto observamos em nosso rastro o monte de ruínas a alcançar os céus...



17 agosto 2011

O fracasso da violência



Emma Martinovic foi uma jovem que sobreviveu à chacina da ilha de Utoeya, cometida por Anders Breivik, um xenófobo que levou às últimas consequências seu ódio pela diversidade humana. Em seu depoimento, que pude ler no sítio Ópera Mundi, ela explica como teve de lutar pela vida, e mesmo atingida pelo terrorista, nadou com muito esforço, enquanto ouvia os gritos dos amigos e a morte se disseminar brutalmente ao seu redor. 

Em meio a esse cenário pungente, a certa altura Emma diz que "era possível ouvir tiros, gritos e a risada, a inconfundível risada do desgraçado. Ele gritava e dizia que não escaparíamos".

Anders cumpriu o seu propósito otimizando com impressionante frieza o seu desempenho, ao alvejar cada uma de suas vítimas. A violência, sob um tosco rótulo ideológico, se consolidou com o escárnio típico dos que se consideram racialmente superiores, quando Breivik definiu o destino delas, estampando a risada inconfundível com hálito mortal. 

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A primeira referência que tive do termo 'tropas de choque', ou paramilitares, foi dos bandos que tomavam as ruas das cidades alemãs, vestidas de camisas pardas e denominadas de SA - Sturmabteilung. Eram bandos incontroláveis que produziam exatamente isso, choques com seus adversários políticos, arruaças brutas, propagando o gene do partido nazista, a mobilização pela violência. Como diz Modris Eksteins, "O viver perigosamente (do nazismo) significa não aceitar nunca o status quo; significa fazer constantemente o papel de adversário; significa exagerar, provocar. Significa conflito permanente". 

Foi em busca desse "conflito permanente" que os fascismos produziram terror e violência como forma de se impor. A glorificação da violência se reproduziu amparada na sedução estética, no passo de ganso ressoando pelas ruas, nos grandes espetáculos embandeirados, nos uniformes impecáveis, "O terror, como tudo o mais, foi transformado numa forma de arte. Os nazistas mais ardorosos se deliciavam com a estética do assassinato". 

O esvaziamento existencial proporcionado por tal engodo ainda preserva o poder de seduzir corações e mentes exacerbados em seu ódio indolente, estimulando o confronto com culturas distintas, sob um discurso intolerante e excludente, como o construído por Breivik. Conceitos confusos, para não dizer primários, que se acumulam com o mero intuito de justificar a violência, "Vendo a falta de coesão social do Brasil (...), é evidente que uma aproximação similar na Europa seria devastadora e retardante nacionalmente, sem mencionar que seria um grave crime (genocídio) em contribuir de qualquer maneira para a aniquilação, desconstrução e genocídio dos povos indígenas, que são nórdicos por definição". 

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Foi uma briga de crianças, ou antes, um embate em que um batia e outro que se deixava bater. Por alguma razão, resolvi confrontar o amigo, meus socos atingiam o peito e seus braços, enquanto o espicaçava com palavras duras. E recebia de volta o silêncio, o movimento de seus braços desarvorados, esboçando uma defesa. Átila era o seu nome.

Entramos assim em um longo corredor, e os outros amigos se amontoando ao redor, o jogo de futebol definitivamente esquecido. A certa altura, meus movimentos começaram a minguar e ao final do corredor, apenas encontrava disposição para empurrá-lo, quase que implorando para reagir. 

Átila não reagiu, nem proferiu palavra ou gemido, apenas resistiu. O mais doloroso de tudo foi cruzar com seu olhar, desarranjado na dor. Ao final, o encurralei contra a parede, sem tomar qualquer atitude. Seus olhos deitaram lágrimas amargas pelas gordas bochechas. A contenda terminava ali, em seus movimentos tão brutos, destituídos de expectativa. Uma sensação contraditória me tomou ao longo da ação, o prazer em golpear o alvo flácido, tão exposto, e a quase simultânea rejeição em continuar golpeando.  

O fato foi que nunca mais consegui a mesma amizade de Átila, e por anos a fio permaneceu a lembrança de seu olhar, que tardiamente compreendi como uma expressão de súplica. Uma súplica dolorosa, imersa em ternas razões, para que eu parasse o que estava a fazer.

Foi meu primeiro contato com uma espécie de violência gratuita, que me deixou marcas. Mais do que a reprimenda moral, subsistiu seu significado social: ela definitivamente me revelou a impossibilidade de me superar a partir da fragilidade do outro. Pela primeira vez me dei conta de que a agressão me faria sentir apenas vergonha de minha condição humana.  



16 agosto 2011

À maneira de Manuel Bandeira...





o que importa o Sena, sua Catedral, as luzes cintilantes?
o que vejo é a irrupção soturna, que fecunda a paisagem. 




12 agosto 2011

O retorno a Cambeville




"Era como se a caminhada sorrateira despertasse os deuses fracassados em seu sono eterno e o purgassem com lembranças desvairadas, incompletas, assim como inquietação. A cada olhar, a cada decisão, ele sentia uma pulsação na parte posterior da cabeça, como a orientar-lhe na peregrinação desafiadora. Que fosse insensata ou mesmo inconsequente, ele desejava descobrir em cada rastro marcado por seus passos, as pistas para a continuidade de sua vida. Enveredava para além do desencanto que o recebia sem piedade, pois afinal, havia uma insolência a desafiar a acomodação longamente estruturada. Seria o fim, ou o começo, ou apenas uma solene perda de tempo, coisas que poderiam ser dolorosamente sondadas, com o inefável devidamente instalado em seu bornal..." 



22 julho 2011

A surpresa da origem e do fim




por Mônica Rebecca Ferrari Nunes
(em memória de Gilvan Prudêncio de Souza)

Começo do semestre letivo no Curso de Comunicação. Turmas novas. Pouca intimidade, nenhum segredo, muita sutileza para as aproximações que sempre crescem ao longo do ano. O início do programa de Teoria da Comunicação II, naquele ano, voltava-se à revisão das funções de linguagem, de Roman Jakobson. Como estratégia, considerei mais eficaz passar um vídeo documentário originalmente produzido para a televisão, tendo recebido prêmios importantes, como XXII Prêmio Vladimir Herzog, nas categorias Melhor Reportagem de TV e Melhor Imagem de TV 2000.
Um vídeo que certamente poderia auxiliar os alunos a reverem as funções, pois, de fato, sua narrativa transitava entre a função emotiva, beirando, em muitos momentos certos clichês, ao exercício da função poética, tanto pela confecção do texto verbal quanto pelas imagens surpreendentes, enfim... acreditei que poderia cumprir meu objetivo, além de proporcionar uma boa discussão social, sempre bem-vinda. Quase o Peso de um Passarinho traz a desnutrição infantil como tema. Interior de Alagoas, fim dos anos 90. São João da Tapera é um lugar onde a morte é mercadoria, como mostram as paredes do empório da cidade que abriga pequenos caixões nas paredes, junto a vassouras e outros produtos. Os índices de crianças mortas, desmedidos.
Durante toda a semana em que passei este material, ouvi os mais variados comentários. Graças à contundência de certas cenas, ouvi críticas negativas, ao filme e a mim mesma - por ter escolhido aquele trabalho, ouvi silêncios que me impediram de avançar em desdobramentos e limitaram minhas expectativas, ouvi algumas falas sensibilizadas.
Era a última aula da semana, e, confesso que, desanimada, iniciei a exibição do documentário lamentando a escolha, o fracasso da proposta. Estávamos na penumbra, as cortinas cerradas impediam que o sábado se abrisse atrás dos janelões de vidro. Os alunos se acomodavam emudecidos, apenas os sons de carros de boi inundavam o espaço aquietado. O filme não havia alcançado a metade, quando do fundo da classe, recebo um bilhetinho, guardado até hoje.
Meus pais são de Caboclo, distrito de São José da Tapera. Eles nunca foram políticos ou ‘coronéis’. Tenho tios, tias e primos que vivem lá até hoje.
Já tive uma irmã (que seria a mais velha), que faz parte das 143 crianças mortas. Minha tia já perdeu 4.
Já vi isso ao vivo!
É ‘engraçado’, mas às vezes não acredito que estou aqui.
Gilvan.
Ele estava lá. Frequentando um dos melhores cursos de Comunicação do país, entre alunos de uma classe social muito diferente daquela de onde viera. Eu também custei a acreditar no que estava escrito, movi minha cabeça pra trás, procurando o autor do bilhete, logo me deparei com os olhos marejados de Gilvan. Ele simplesmente consentiu com a cabeça e ficamos assim ternamente envolvidos pela surpresa da origem.
Ao final do vídeo, propus o debate, olhei pra ele, mas senti que Gilvan não gostaria que eu dissesse qualquer coisa sobre a descoberta. Revi as funções, mas estava atordoada pela presença do acaso, mal consegui terminar a aula. Quando todos saíram da sala, ele se aproximou de mim ainda emocionado, contou-me sobre sua família que saiu daquela cidade, sua formação em Educação Física, sobre a empresa em que trabalhava e que custeava seus estudos. Ficamos próximos. Ao longo do semestre, soube que tinha uma filha quase da idade do meu.
Certa vez aprendi o sentido da palavra desastre – sair da rota dos astros... Gilvan escapou à rota destinada a muitas crianças de São João da Tapera, como sua irmã, seus primos. Estava se formando em Publicidade e Marketing, atuava no mercado com promessas de um futuro diferente. Aqui, como na tragédia grega, em que os deuses traçam o destino dos heróis que os desafiam, parece que os astros recolheram Gilvan da rota onde ele teimava brilhar...



17 julho 2011

Quando nos oferecem o que não queremos



Os dias de jogo da seleção brasileira costumam ser um martírio, e principalmente aos domingos. O que deveria ser um espetáculo a ser curtido, torna-se uma convocação para que todos, irmanados em uma corrente pela audiência, sejamos testemunhas de um novo objetivo a ser alcançado. O apelo às quartas de final se reduz à mera promoção do futebol negócio. Uma vitória, e mais dividendos se acumulam, o preço dos jogadores-mercadorias, os bônus da audiência, o bom humor do narrador-vendedor...

O produto, a partida de futebol, não precisa mais reluzir, nem ser atraente. O narrador-vendedor tratará de oferecer o espetáculo nos moldes de sua enfática exposição dos fatos. O importante não é o que vemos, mas o que ele apreende e nos oferece. O interesse residual dos espectadores se integra à acomodação da tarde de domingo, e assim o narrador-vendedor pode se esbaldar em seus artificialismos linguísticos. É assim que temos a formulação das pequenas e sucessivas hipóteses, montando um discurso irrefreável, de interpretações vagas para se chegar a conclusões vagas. Em outras palavras, enrolar com categoria.

A partida de futebol, de há muito, deixou de ser uma disputa saudável, para se transformar nesse produto cobiçado, onde gravitam especulações e interesses. Herança maldita da passagem desse Murdoch, que transformou, como disse o jornalista Paulo Moreira Leite "empresas de comunicação em grandes corporações, impessoais, sem perfil e sem história, dependentes e até associadas a grandes grupos financeiros".

É onde você, caro telespectador, é guindado à condição de consumidor presente-ausente, sem tempo ou disposição para avaliar o que se consome. O tom narrativo o envolve e o condena à poltrona, e a tudo assiste sem reação, movido pelo desejo, talvez, de que tudo termine rápido. E o espetáculo, vendido ao longo da semana pelo marketing como um momento reluzente, se transforma aos poucos em um nada. O relato não expressa a beleza intrínseca do fato, e se perde em seu marasmo.

As diatribes, o mal humor do narrador-vendedor procura nos incutir indignação. Indignação? Por uma derrota ocasional?... As explicações vagas tateiam por caminhos que não representam os anseios e a compreensão da coletividade, mas os impulsos personalistas dele, o narrador-vendedor. Em nenhum momento existe o adversário vencedor, que teve competência, qualidade... (outro problema do mercado na pós-modernidade, o não reconhecimento da capacidade do outro), e prevalece a lamúria pelo fracasso (do negócio). É quando nos damos conta que somos de fato uns otários silentes, pois nossa opinião não vale um cavalo manco, e o discurso se fecha ainda mais autoritário, prevalecendo sobre a notícia.

Paro por aqui, a análise pode tomar muitos rumos, mais densos, mais dolorosos para nós, transformados em consumidores sem voz. Como seria se recuperássemos a sutil qualidade de simples torcedores, ligados magneticamente na elegância de um fino espetáculo, sem ansiedades para nos conduzir o olhar? Esqueça, isso faz parte de um tempo superado pela dinâmica do mercado. O problema é que, ao final desse novo modelo de espetáculo, pouco sobra. O processo nos suga a alma e nos atira uns restos sem sabor. Viramos simplesmente consumidores de qualquer coisa, condicionados à alegria efêmera de uma conquista ou à dor fabricada de uma derrota. Nada mais que isso.

Retomo o início, os dias de jogo da seleção brasileira costumam ser um martírio, e principalmente aos domingos. Pois aos domingos, o ritual de alienação se renova para arrancar o que sobrou da nossa criatividade, da nossa indignação, evadidas aos bocados ao longo da programação semanal.


La muerte de Bordaberry




Empresário rural, vinculado à TFP, Juan Maria Bordaberry foi eleito presidente do Uruguai pelo partido Colorado, nas eleições de novembro de 1971, o que permitiria a continuidade ideológica do governo de Pacheco Areco e do seu aparato de repressão política, vale dizer, da forte presença da CIA (como bem ilustra o filme de Costa-Gravas, Estado de Sítio), dos serviços de inteligência da Argentina (SIDE) e do DOPS brasileiro.

Ao contrário dos Tupamaros, o movimento de guerrilha urbana de esquerda, que cessou suas operações visando a apoiar o candidato da Frente Ampla, Liber Seregni, inúmeras micro facções de direita proliferaram no cenário político, promovendo atos de violência. Dentre essas organizações, a JUP, Juventud Uruguaya en Pied, que dias antes das eleições, teria atacado a caravana da Frente Ampla. Havia também a Defensa Armada Nacionalista (DAN), TFP, Brigadas Nacionales, Legión Artiguista, Comando de Caça aos Tupamaros, que seguia a cartilha do esquadrão da morte brasileiro, realizando atentados diretamente contra simpatizantes da Frente Ampla.

Para Seregni, "un enemigo tenebroso y organizado... adestrado en las formas más refinadas de la crueldad y del horror...", deixando claro que se tratava de um movimento muito bem orquestrado pela CIA. Em meio a esse caldo de brutalidade e incerteza, Bordaberry ganhava e logo anunciava suas "afinidades ideológicas" com o regime brasileiro, passando a governar o Uruguai como uma espécie de títere das forças militares. Mais tarde (2006) seria levado às barras da lei por 9 crimes de desaparecimento forçado e dois crimes políticos. Morreu cumprindo sua pena de 20 anos de reclusão domiciliar.

Em 1973, após um golpe de estado, Bordaberry fechou o Congresso, estabeleceu a censura na imprensa, e proibiu as atividades sindicais e políticas, definindo o caráter explícito de uma ditadura que se delineava desde o governo anterior.

Milhares de pessoas foram presas, torturadas e assassinadas, sendo que uma grande parcela da população jovem acabaria emigrando. O Uruguai mergulharia em uma débâcle econômica e politicamente ganhava a paz cemiterial imposta pelos militares, como parte do alinhamento às diretrizes do império, por longos 12 anos.

Importante lembrar que mesmo o golpista Bordaberry não sobreviveu à sanha dos militares, sendo deposto em julho de 1976, sem tempo para concluir sua marca nefasta na história do Uruguai. Hoje, este país belo e acolhedor, como diz Galeano, é um dos poucos lugares no mundo onde se é possível caminhar tranquilo. E que, felizmente, sob a direção da Frente Ampla, retoma os saudáveis desígnios de uma nação livre.

(fonte de pesquisa: TeleSur; e o livro Fórmula para o Caos, de Moniz Bandeira).



16 julho 2011

Censura, ou para bom entendedor


Paris, 2010


Era uma vez um sujeito que apreciava desvelar o seu mundo ao redor. Fazia-o com seu cavalete, suas telas, a paleta, os pincéis, a espátula. Sobrevivia com o pouco que o tempo generoso lhe proporcionava, cada jornada voltada para os detalhes da vida.

Seu cenário eram as manhãs ocultas pela névoa, as tardes varridas pela suave brisa do campo, o último crepúsculo reluzente e alaranjado. Descrevia com tênues pinceladas as nuvens embaralhadas pelo vento, os extensos plantios a perder de vista na planície, e mais além, a vegetação incólume, que equilibrava-se em um mar de colinas, sulcadas por sua vez pelos caminhos de terra, que conduziam aos casebres esparramados nas encostas e fundos de vale, reduto último da famélica massa de camponeses, abrigo da esfalfante labuta. Cores e cenas que dialogavam com o espírito da vida, abundante, sofrida.

Até que um dia, em meio a violenta tempestade, uma carruagem surgiu (um pouco de fantasia para dar mais verossimilhança à fábula) e dois homens aportaram-lhe o ofício inquestionável: estava proibido de prosseguir com seu trabalho, junto à natureza e aos homens.

Após meses de busca infrutífera, restou ao artista um serviço de limpeza na casa funerária da cidade.