17 julho 2011

La muerte de Bordaberry


Empresário rural, vinculado à TFP, Juan Maria Bordaberry foi eleito presidente do Uruguai pelo partido Colorado, nas eleições de novembro de 1971, o que permitiria a continuidade ideológica do governo de Pacheco Areco e do seu aparato de repressão política, vale dizer, da forte presença da CIA (como bem ilustra o filme de Costa-Gravas, Estado de Sítio), dos serviços de inteligência da Argentina (SIDE) e do DOPS brasileiro.

Ao contrário dos Tupamaros, o movimento de guerrilha urbana de esquerda, que cessou suas operações visando a apoiar o candidato da Frente Ampla, Liber Seregni, inúmeras micro facções de direita proliferaram no cenário político, promovendo atos de violência. Dentre essas organizações, a JUP, Juventud Uruguaya en Pied, que dias antes das eleições, teria atacado a caravana da Frente Ampla. Havia também a Defensa Armada Nacionalista (DAN), TFP, Brigadas Nacionales, Legión Artiguista, Comando de Caça aos Tupamaros, que seguia a cartilha do esquadrão da morte brasileiro, realizando atentados diretamente contra simpatizantes da Frente Ampla.

Para Seregni, "un enemigo tenebroso y organizado... adestrado en las formas más refinadas de la crueldad y del horror...", deixando claro que se tratava de um movimento muito bem orquestrado pela CIA. Em meio a esse caldo de brutalidade e incerteza, Bordaberry ganhava e logo anunciava suas "afinidades ideológicas" com o regime brasileiro, passando a governar o Uruguai como uma espécie de títere das forças militares. Mais tarde (2006) seria levado às barras da lei por 9 crimes de desaparecimento forçado e dois crimes políticos. Morreu cumprindo sua pena de 20 anos de reclusão domiciliar.

Em 1973, após um golpe de estado, Bordaberry fechou o Congresso, estabeleceu a censura na imprensa, e proibiu as atividades sindicais e políticas, definindo o caráter explícito de uma ditadura que se delineava desde o governo anterior.

Milhares de pessoas foram presas, torturadas e assassinadas, sendo que uma grande parcela da população jovem acabaria emigrando. O Uruguai mergulharia em uma débâcle econômica, e politicamente ganhava a paz cemiterial imposta pelos militares, como parte do alinhamento às diretrizes do império, por longos 12 anos.

Importante lembrar que mesmo o golpista Bordaberry não sobreviveu à sanha dos militares, sendo deposto em julho de 1976, sem tempo para concluir sua marca nefasta na história do Uruguai. Hoje, este país belo e acolhedor, como diz Galeano, é um dos poucos lugares no mundo onde se é possível caminhar tranquilo. E que, felizmente, sob a direção da Frente Ampla, retoma os saudáveis desígnios de uma nação livre.

(fonte de pesquisa: TeleSur; e o livro Fórmula para o Caos, de Moniz Bandeira).


Nenhum comentário: