31 maio 2026

Alfonsina Storni - Poemas de amor




VI

Por sobre todas las cosas amo tu alma. A través del velo de tu carne la veo brillar en la oscuridad: me envuelve, me transforma, me satura, me hechiza. Entonces hablo para sentir que existo, porque si no hablara mi lengua se paralizaria, mi corazón dejaría de latir, toda yo me secaria deslumbrada.

(de Antología Poética, Mestas Ediciones, Madrid, 2000).



22 maio 2026

A decadência do ocidente


por Juan Rulfo

O fechamento da Livraria Cultura, sacramentado neste ano, coloca em xeque os espaços maravilhosos provedores de bons livros que marcaram nossas vidas. Graças a ela, não apenas montei metade da minha biblioteca, com livros de editoras marcantes como a Catedra, Alianza Editorial, Debolsillo, Siglo XXI, Fondo de Cultura Económica, Cultrix, Edições 70, Cosac&Naify, Guimarães Editores, Publicações Europa-América, Editora Mestre Jou, dentre tantas outras, como em suas poltronas aprendi a desfrutar o tempo da leitura em longas e iluministas investigações e dessa forma, descobrir inúmeros autores nacionais e estrangeiros. Um moto-contínuo cultural! 

Também na Cultura, em 1991, fui anunciado como múltiplo vencedor de um concurso de poesia, dramaturgia e contos, de um concorrido prêmio literário promovido pela empresa em que trabalhava: eu não estava lá, tive de fazer uma prova final de Geomorfologia e não tinha como faltar. Meus amigos presentes disseram que foi divertido ouvirem chamar meu nome diversas vezes. Levei os dois prêmios de contos e mais o de dramaturgia, o que me rendeu vales-livros substanciais, garantindo minhas aquisições literárias por um bom tempo. 

Muito bem, a Cultura virou história e não só ela. Na semana passada, fechou no Rio de Janeiro a Livraria Martins Fontes, referência literária por mais de cinquenta anos na cidade. Simples assim, fechou. Leio agora no Página12 da Argentina*, um artigo assinado por Mario Goloboff entitulado Primeras observaciones de un mundo cultural en decomposicion, onde descreve a transformação da FNAC histórica em um local em um líder europeo de la distribución de bienes culturales, juegos, videojuegos, productos técnicos, electrodomésticos... Tudo bem com a proliferação de produtos à venda, mas cruel não manter as novidades literárias que outrora despertava o desejo de tantos leitores por boa literatura.

Goloboff também comenta a demissão de Olivier Nora, da famosa Editora Hachette, pelo multimilionário Vincent Bolloré, que atende a uma classe de ideólogos e políticos de direita, ameaçando, segundo Gisele Sapiro, diretora do importante Centro Nacional de Investigação Cienfífica "o patrimônio cultural e intelectual da França". Tudo isso porque o grupo Hachette possui uma grande penetração em manuais escolares e no mercado editorial na África francófona.

E conclui trazendo uma triste imagem do abandono físico da Biblioteca Nacional, sinalizando a falta de investimento na preservação da infra-estrutura, e com isso o templo das bibliotecas parisienses "se viene abajo sin que detengan su caída los sucesivos ministros de cultura ni los cultos presuntos candidatos a las próximas elecciones". Significa dizer, uma decadência cultural em um país que sempre prezou pela Cultura. Utilizo no título a expressão usada por Oswald Spengler em sua obra magna, sem desejar necessariamente designá-la como referência, mas apenas a apropriação de um termo feliz que expressa o derrumbe intelectual do ocidente e seu consequente fracasso nas mãos neoliberais e ultradireitistas imbecilizados.

https://www.pagina12.com.ar/2026/05/22/primeras-observaciones-de-un-mundo-cultural-en-descomposicion/


14 maio 2026

Joan Manuel Serrat



 

Aprendi a admirar Joan Manuel Serrat hace poco, unos cuantos meses. Não saberei dizer a primeira vez, nem sequer a oportunidade que me colocou diante deste grande cantautor. É provável que tenha sido no correr das audições matinais da Radio 10 de Buenos Aires, no programa de Gustavo Silvestre, quando ocorre o Momento Serrat, em que ouvimos a cada manhã uma canção diferente da longa carreira do cantor e compositor catalão. Aprendi ao desvelar a beleza de suas letras o encanto da vida, o olhar sublime para as pequenas coisas, a força da poesia, quando se faz necessário o engajamento político. 

De modo que Serrat tornou-se para mim uma importante referência poética e política; tornou-se um cantautor indispensável para desvelar a alma dos amantes, dos injustiçados, dos inquietos. Justamente o descubro na altura do 85. aniversário de Roberto Carlos, um contraponto de nossa canção e que poderia ombrear-se em qualidade artística e coragem política a Serrat, mas que, fica claro na comparação de ambas biografias, está longe de ser realidade. 

Trago abaixo, em espanhol e catalão, um depoimento ipsis verbis de Serrat, aos 82 anos, em resoluta defesa dos idosos, conforme publicado no Instagram. Suas palavras soam como um acalanto para esta que se constitui na 900a. (nongentésima) postagem deste blog, que perdura de modo ininterrupto por já quase 18 longos anos. É para mim um orgulho, uma enorme satisfação comemorar este acontecimento citando Joan Manuel Serrat.

Prescindir de los viejos
no solo es un acto criminal, imbécil
es como quemar los libros,
es destruir la memoria.
Vivir más años no significa vivir mejor,
pero tampoco vivir a rastras.
Envejecer es la única manera que hemos encontrado
de vivir una larga vida
y queremos hacerlo con dignidad.
Los viejos somos un colectivo
que aún tiene mucho que aportar.
Que no nos hagan invisibles,
que escuchen y respeten nuestras preferencias.
Que empaticen con nuestros problemas
y con nuestras dificultades.
Que nos tengan en cuenta en sus decisiones.
Hacer otra cosa sería tirar piedras al tejado propio.

Muchas gracias, bona tarda i molt agraït 
per acompanyar-vos aquests dies
Passeu-ho bé.

(atualizado em 18.05.2026)