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| A porta de Brandemburgo, em algum momento antes de 1989 |
09 novembro 2009
Berlim
08 novembro 2009
Momentos de puro deleite
07 novembro 2009
Nada a declarar
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| Imagem: VTV (Venezuela) |
05 novembro 2009
Mi Buenos Aires querido
Juan Gelmanmareado, enfermo, casi vivo,
escribo versos previamente llorados
por la ciudad donde naci.
Hay que atraparlos.
También aqui
nacieron hijos dulces mios
que entre tanto castigo te endulzan bellamente.
Hay que aprender a resistir.
Ni a irse
ni a quedarse.
A resistir.
Aunque es seguro
que habrá más penas y olvido.
02 novembro 2009
O regresso

A sala de estar. Os móveis em madeira rústica, o chão de lajotas cor de terra, tudo muito simples e funcional. Por sobre a mesa de trabalho, além dos papéis e dos livros esparramados, um retrato, o homem com a mulher e um casal de adolescentes, seus filhos, tendo ao fundo a paisagem bucólica das montanhas. Ao longo das jornadas de trabalho solitário, o homem se volta constantemente para a bela imagem familiar, tomada em uma primavera ensolarada e feliz. A apreciação se dá nos momentos de intervalo da escritura de seu romance e assim faz até que, numa adorável manhã, a imagem está suprimida de um dos jovens. Curioso detalhe que não o atinge, como se a falta significativa não lhe dissesse respeito. Ele prossegue concentrado na elaboração do primeiro conflito narrativo, o filho decidido a retirar-se da fazenda para assumir sua independência. O romance se entranha em recortes conturbados, os dias se sucedendo através das amplas janelas, diante da mesa de trabalho. Passam-se os dias e se volta para a foto, que se restringe a um casal maduro, sorridente. Sua memória não distingue o evento original, a imagem de uma família feliz, inspiração do argumento original de seu romance. No romance, a filha se enamorou, mudou-se para um país distante, sobrando ao casal a vida pouco laboriosa às voltas com a enorme propriedade. E passam-se os meses, noutra sossegada manhã está debruçado em seu trabalho, a fadiga a açodar-lhe a noção da realidade, em um momento morto deita as vistas na foto e observa sua silhueta bem disposta, solitária, tendo ao fundo as imponentes montanhas.
Avança a passos largos, não há tempo a perder na conclusão da trama, o personagem que se lamuria pela morte da mulher, por viver solitário, doente, em meio a crises alucinatórias... Então, em uma quieta manhã de outono, em que as folhas desprendem-se dos galhos para aterrar mansas sobre a vegetação desgrenhada, a fotografia registra nada além das ondulações suaves do terreno, até as elevações mais escarpadas, uma reprodução da imagem tomada do ponto de vista da mesa de trabalho, sobre a qual repousa um exemplar de um romance editado, O Regresso.
Pelas janelas, lá ao longe, desvela-se um pequeno ponto que ganha os contornos de um jovem, vindo das montanhas. Ele detém o passo para acender seu cigarro, aconchega-se junto à sombra de uma paineira e seu olhar se volta para a casa, abandonada e convidativa.
30 outubro 2009
Maria

Quando me mudei para cá, Maria já era uma anciã frágil, solitária, de caminhar vagaroso. Porém, possuía um encanto que fazia de nossos breves encontros no elevador um momento cintilante, reproduzido por seu olhar. Nada que se comparasse aos olhares dos encontros fortuitos, ao contrário, fulgurava em sua elegância de ser, em sua mansa intencionalidade. Maria apenas olhava-me, de lá de seu metro e cinqüenta, e sua expressão se iluminava, recendendo uma satisfação passível de se compartilhar. Restava então o comentário fortuito sobre alguma situação, breve, conciso, pois como morava no quarto andar, tínhamos pouco tempo.
Poucas vezes a vi, ao longo desses anos. Pensando bem, não mais do que uma dúzia de vezes, praticamente uma para cada ano de convivência no mesmo prédio. Convivência, parece-me exagero usar esse termo nesta situação... De todo modo, ao retomar esse tempo e nossos escassos encontros, vejo o quanto Maria se degradou, a exemplo de nosso prédio, de nosso bairro. Maria é a última dos moradores pioneiros, está aqui há longos 53 anos! Veio jovem, recém-casada, com duas filhas, com um futuro por se fazer... penso que mesmo as suas reminiscências se perdem nas brumas do tempo, como hálito ao vento.
Ontem a revi no vestíbulo, o que seria o nosso décimo-terceiro encontro. Estava acompanhada por uma governanta à esquerda e por uma bengala à mão direita. Seus olhinhos azuis me fixaram com dificuldades e o esforço por sorrir não alterou a expressão baça, de um cansaço irrecuperável. Um belo dia de verão iluminava os espíritos, perguntei-lhe se o passeio havia sido agradável. Maria não teve tempo para elaborar sua resposta, o elevador logo chegou ao quarto andar.
28 outubro 2009
Sobre a intolerância

25 outubro 2009
Spassky
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| Reykjavik, 1972 |



