02 fevereiro 2009

O senhor Binessen



O amor por fim alimentava o coração. Aos 50, não era um sentimento desvairado, oculto entre incógnitas e surpresas, desta feita sabia o que era e como protegê-lo. E saboreava-o gostosamente, talvez fosse esse o benefício da madurez tardia. Saboreava-o em sonhos e reminiscências, mas sobretudo quando estava ao lado dela, como naquele momento, sentados no anfiteatro, atentos ao desdobramento das conferências.

Ao tocar em sua mão, mais do que sentir a textura delicada da mulher que amava, Binessen sentia o calor profundo de seu corpo, a respiração pausada em terna expectativa. Por mais que desejasse apressar o tempo para tomá-la nos braços, confortava-se então com as nuances de um ardor que o envolvia e o estimulava de modo especial, e porque sabia que era recíproco.

Não perdia a chance de observá-la vez por outra, sob a luz baça que escapava do palco, quando resgatava os dois grandes olhos azuis para si, envoltos na opacidade típica de uma expressão serena... Era a melhor prova de amor que podia dispor, naquela inquietude tão cúmplice.

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