18 setembro 2020

Para breve!

 

O próximo lançamento

Acabo de receber da editora Penalux as primeiras provas de meu próximo livro, O fragor silencioso de cada dia, contendo a capa e o miolo. Ficaram muito bons, ainda assim vou propor duas ou três correções estéticas que me parecem necessárias e claro, farei uma nova revisão. Aguardo o texto de orelha composto pela querida Mônica, o que deve complementar o trabalho da capa. Eu e a editora não temos pressa, preparamos o lançamento para o primeiro semestre de 2021. 

O isolamento da pandemia me permitiu corrigir e concluir este volume, já pronto há mais de dez anos. A meu parecer, ficou um trabalho redondo e com algum atrevimento, o considero meu Álbum Branco, pela profusão de estilos narrativos. No final, quase duzentas páginas divididas em três capítulos com 19 contos. Nesta obra, de maneira curiosa, se adensam as referências aos "senhores", neste caso contendo sete senhores e uma senhora.



14 setembro 2020

Vocacional, uma grande experiência


Ao assistir ao filme Vocacional, uma aventura humana, de Toni Venturi, constatei que toda a força e beleza daquela experiência educativa narrada não era a mesma que vagamente recordava em minha experiência pessoal. De 1967 a 1969 acompanhei à distância, nos fundos do Linneu Prestes, uns jovens calados, que aparentavam mais idade e usando como uniforme um macacão escuro trabalharem em uma pequena horta coletiva. Era o trabalho externo deles. Eram orientados por professores diferentes, que não conhecíamos. Parecia-nos uma atividade à parte da escola, é controlada a ponto de sermos estimulados a não nos aproximar. Havia poucas informações sobre aquela "gente" e sobre o que faziam. 

Entre nós, jovencitos sem a menor noção das coisas, corria uma conversa de que aqueles rapazes e aqueles professores era gente imbuída de outros propósitos e que devíamos evitar. Ninguém nos explicava nada, mesmo quando eles conviviam conosco, nos recreios. Sempre houve um manto de silêncio a acobertar suas práticas e creio que era bem esse o esforço da diretoria, que tudo permanecesse sem explicações até que o período letivo se encerrasse e todos voltássemos para casa. E assim ocorreu. Um dia o ano acabou e eles não mais voltaram. 

Com a cronologia do maravilhoso filme de Ventura, resgatei o que desconheci por completo, e pior, o que descriminei sem ter qualquer conhecimento. Já em 1967, meu primeiro ano de colégio público, essa experiência concebida pela educadora Maria Nilde Mascellani já estava fadada à extinção. Seus anos mais profícuos foram antes do malfadado golpe cívico-militar que terminou por abestalhar este país e nos conduzir à vala em que estamos. 

É de singela beleza ver os depoimentos emocionados de ex-alunos, hoje vovôs respeitáveis, descrevendo as discussões coletivas em sala de aula, as preocupações com economia doméstica, a prática da integração social, a valorização do ser humano. É bonito acompanhar um trecho do filme com uma narração over de ex-alunos descrevendo a prática do trabalho na cantina, como exercício não só de matemática, mas de cidadania. Há também um momento em que alunos se posicionam sobre o cenário geopolítico, em que têm completa noção da realidade em que vivem. 

Era comum realizarem pequenas excursões para cumprirem determinadas atividades, e assim permitir que os alunos desenvolvessem um sentimento de convívio social. Percebam a diferença desses pequenos jovens de 7, 8 anos em relação a mim, um ingênuo incrustado em meio a temores e desconfianças. Eles praticavam o que se denominava de aula síntese, onde comunicavam em determinada ocasião os conhecimentos adquiridos, compartilhando com a sociedade (o público). 

Aprendiam história e cultura ao vivo, com excursões mais longas, a aula plataforma, onde, por exemplo, todos participavam por 10 dias de atividades nas cidades históricas, em contato com nosso barroco. Há descrições lindas sobre o trabalho com a arte, a manifestação poética, a passagem do não-ser para o ser... Fazer, pensar, voltar a fazer, voltar a pensar! Para isso os professores tinham seis meses de preparo antes de assumirem uma turma. Ganhavam bons salários e para tanto funcionava o prazer em exercerem o papel afetivo como educadores. Bem feitas as contas, tratava-se de uma visão de respeito profundo ao ser humano.  

É com o sentimento de humilhação profunda observar que todo esse maravilhoso programa educativo foi desativado por insinuações obtusas e obscuras de que tudo não passava de uma experiência marxista-comunista ou coisa do gênero. O tempo que perdi em travar conhecer ciências como a filosofia, a sociologia, a antropologia, a própria matemática, é algo que não consigo conceber, até porque as razões para que isso acontecesse foram medíocres, sem qualquer comprovação. O mesmo aconteceu com a maioria dos jovens de minha geração, perderam, sem que o jogo fosse jogado. Ver o filme de Toni Venturi é descobrir que neste país houve uma tentativa maravilhosa de educar com seriedade e competência. Uma brisa refrescante em se ouvir, aprender e apreender, e se demonstrar que o ensino era parte do processo de formação cidadã. 

Quanto a isso, sou testemunha e digo com todas as letras, os patéticos militares em comunhão com nossa fútil classe dominante, não tiveram a menor inspiração para produzir. Ao contrário, defenestraram a poesia e as artes, o prazer do aprendizado e o amor pelo outro como formas perniciosas de ser, que, no final das contas, em sua vil interpretação, só poderia destruir o poder popular. Essas pobres criaturas se reproduzem caricatas, ainda estão aí, vicejam entre nós, e sua herança será o nada sobre nada.





12 setembro 2020

Mario Benedetti, 100 anos


Minha biblioteca Mario Benedetti

Tenho andado saudoso por aqui, mas fazer o que, memória é também ação política. Em 1997 estava de passagem na cidade de Guadalajara, em razão de um congresso de semiótica. Permaneci alguns dias antes de iniciar, por conta própria, uma longa viagem terrestre até Seattle, no estado de Washington, passando por Puerto Vallarta, Mazatlán, La Paz, na Baja California, Tijuana, Los Angeles e São Francisco. Antes de iniciar o longo périplo, passei em uma livraria tapatia e em uma prateleira de autores latino-americanos, optei por um pequeno livro de contos, La muerte y otras sorpresas, de Mario Benedetti.  

O conjunto de contos me agradou plenamente. Não se tratava do melhor livro de Benedetti, mas Acaso IrreparableGanas de EmbromarLa MuerteCinco años de vida, foram alguns dos textos que me fizeram retomar diversas vezes este pequeno tomo, sempre desconcertado pelas surpresas. Foi a porta de entrada para conhecer mais profundamente sua obra, e que me despertou de modo decisivo para a prosa do nosso continente. Me fez também conhecer mais a fundo a resistência política que ocorreu no Uruguai nos anos 1960, fazendo-me conectar com as demais lutas contra os estados de exceção ocorridos no Cone Sul. 

Cheguei a visitar o Uruguai duas vezes com ele vivo, alimentando sempre o desejo de conhecê-lo, porém não passei da aquisição de livros seus. Era ainda o tempo que com alguma sorte, poderia ir até o Café Brasileiro, na entrada da Cidade Velha, e encontrá-lo bebericando seu café, talvez na companhia de outro dos frequentadores, Eduardo Galeano, mas quis o destino que não houvesse esse encontro mágico. Hoje leio com regularidade a ambos, em especial nas transmissões da rádio Balmaceda, onde declamo poesias ao final da noite para mi querida y única radioyente, Moniquita Rebecca. 

Segunda-feira, 14, é o aniversário de 100 anos de Benedetti. Em maio do ano passado completaram-se dez anos de sua morte. Teve uma vida longeva, 88 anos, plena de acontecimentos e reconhecimentos. Seguirei lendo e relendo seus contos sempre com uma alegria especial, que me toma profundamente quando inicio uma narrativa sua. Um escritor que empurrado para o mundo para fugir do ignominioso cerceamento que sofreu pela tacanhez totalitária, seguiu produzindo com qualidade admirável seus contos, poemas relatos, análises sociais, memórias, oferecendo-nos uma personalidade sensível, em profundo diálogo com os encantos e apreensões da alma humana, e igualmente se fazer decidido em suas escolhas da vida.


A Expressão

Milton Estomba tinha sido uma criança prodígio. Aos sete anos já tocava a Sonata no. 3, Op. 5, de Brahms, e aos onze, o unânime aplauso de crítica e de público acompanhou sua série de concertos nas principais capitais da América e Europa.

Entretanto, quando cumpriu vinte anos, notou-se no jovem pianista uma evidente transformação. Tinha começado a preocupar-se desmesuradamente pelo gesto rebuscado, pelo rosto afetado, pelo cenho franzido, pelos olhos em êxtase e outros tantos efeitos afins. Ele chamava a isso "sua expressão".

Pouco a pouco, Estomba foi se especializando em "expressões". Tinha uma para tocar a Patética, outra para Crianças no Jardim, outra para a Polonesa. Antes de cada concerto ensaiava em frente ao espelho, mas o público freneticamente envolvido tomava essas expressões como espontâneas e as acolhia com ruidosos aplausos, bravos e batidas com os pés.

O primeiro sintoma inquietante apareceu em um recital de sábado. O público percebeu que algo raro ocorria, e no aplauso chegou a demonstrar um incipiente estupor. A verdade era que Estomba havia tocado a Catedral Submersa com a "expressão" da Marcha Turca.

Porém, a catástrofe sobreveio seis meses mais tarde e foi qualificada pelos médicos de amnesia lacunar. A lacuna em questão correspondia às partituras. Em um lapso de vinte e quatro horas, Milton Estomba se esqueceu para sempre de todos os noturnos, prelúdios e sonatas que haviam figurado em seu amplo repertório.

O assombroso, o realmente assombroso, foi que não esquecera nenhum dos gestos exagerados e afetados que acompanhavam cada uma de suas interpretações. Nunca mais pôde dar um concerto de piano, mas há algo que lhe serve de consolo. Ainda hoje nas noites dos sábados, os amigos mais fiéis o visitam em sua casa para assistir a um silencioso recital de suas "expressões". Entre eles é unânime a opinião de que seu capolavoro é a Appasionata.


(traduzido do texto original La Expressión, da obra La Muerte y otras sorpresas, Buenos Aires, Ed. Seix Barral, 1998).



11 setembro 2020

Encontros com Kafka


Folhetim, 3 de julho de 1983

Em fins de 1977 preparava-me para os exames de vestibular para Economia, inscrevendo-me um uma série de faculdades. E recordo-me que incluí administração de empresas na Getúlio Vargas. Fiz a inscrição no edifício da avenida Nove de Julho, havia uma pequena fila e na minha frente, duas garotas conversavam. Tive tempo para observar que uma delas, a menor, portava um livro que já tinha ouvido falar, O Processo, de um tal de Franz Kafka. Meu desconhecimento era tamanho que imaginava tratar-se de uma obra metafísica, na linha dos livros de Herman Hesse e naquele momento de descobertas, estava mais interessado na concretude (e nas durezas e dissabores) das narrativas do real. 

O que mudou minha opinião a respeito daquele autor foi simplesmente tê-lo visto nas mãos de uma bela garota, que prestaria um dos vestibulares mais concorridos do país. O que isso queria dizer? Nada, mas o detalhe não me passou despercebido. Precisava, pois, investigar e saber mais. Em um tempo que não havia as facilidades dos sítios de busca no celular, fui ao longo dos anos juntando as peças desse infindável mosaico e valeu o esforço quase obsessivo. Descobri que em casa tínhamos, pelo velho Clube do Livro, A Muralha da China. E depois avidamente as busquei nas prateleiras das livrarias, encontrei outros títulos e o que li me impressionou de maneira decisiva. Veio A Metamorfose, e em seguida, O Processo, pontapé inicial para adentrar o labirinto kafkiano e me guiar os primeiros passos em minhas histórias, em meus contos.

Poucos anos mais tarde, recebi como encarte da Folha de SP o Folhetim que destaco acima. Era todo dedicado a Franz Kafka, e dentre as fábulas e aforismos traduzidos diretamente do alemão, havia uma narrativa de outro autor que então desconhecia por completo, Otto Maria Carpeaux. Um texto magnífico, que consolidou minha admiração pelo escritor checo. Com o passar dos anos, acumulei diversos títulos, a maioria com tradução de Modesto Carone, mas também alguns de Portugal, como O Castelo e Os Aeroplanos de Brescia. Acabei montando uma pequena e respeitável biblioteca kafkiana, mas, bem, essa já é outra história.

Para mim, Kafka tornou-se uma importante referência literária, por seu estilo tão característico, pela maneira sóbria de relatar, provocando uma incômoda impressão de impotência que se multiplica por caminhos labirínticos sem fim. Atraiu e influenciou um número expressivo de escritores, que nas palavras de Carpeaux, faz de Kafka um dos mais imitados no mundo. Eu não fui exceção, e embora não tenha desejado imitar sua narrativa, certamente fui por ele compelido a colocar no papel minhas dolorosas visões existenciais, abrindo caminho sem dúvida para, mais ou menos nessa época, enveredar pelos autores franceses do pós-guerra, como Sartre, Beauvoir e Camus. 

Trago abaixo um apanhado pessoal do belo ensaio de Otto Maria Carpeaux, publicado originalmente no livro de ensaios póstumo Realidade e Reflexo (1978), e republicado no Folhetim em julho de 1983.

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1

Divididos em cinco partes, o ensaio Meus encontros com Kafka ocupa as duas páginas centrais do caderno Folhetim de 3 de julho de 1983. Apenas o primeiro dos encontros retrata um contato físico entre os dois autores, na longínqua Berlim de 1921. Foi em uma tarde de domingo, no Café Românico, onde convergiram inúmeros escritores, como Doblin, Zweig, Werfel, dentre outros. Ocupavam as mesas especiais, e ao redor, os demais presentes. Em um canto, o jovem Carpeaux observava o movimento próximo de um rapaz taciturno. Com a voz embargada em razão da tuberculose, apresentou-se, 

- Kauka. 

Carpeaux não compreendeu, e vem a confirmação, 

- KAUKA. 

- Muito prazer.

Na saída, ao perguntar sobre aquele rapaz magro e de voz rouca, o amigo respondeu, é de Praga, publicou uns contos que ninguém entende, não tem importância.



2

Estamos em 1926. Carpeaux realiza alguns trabalhos para a editora Die Brüke, A Ponte, antes de ir para a Itália, para os estudos universitários. Ao retornar a Berlim, soube que a casa entrou em falência e para lá se dirigiu. O diretor lhe devia, Pagar não posso, querido, mas se você quiser, pode levar, em vez de pagamento, a tiragem toda. Tratava-se da primeira edição de O Processo, de Franz Kafka, acumulada em um canto e da qual Carpeaux folheava um exemplar enquanto esperava pela conversa com o diretor. 

Arrependeu-se profundamente em não ter aceito a partilha de livros. Hoje é uma raridade e nos Estados Unidos pagam mil dólares por um desses livros. Carpeaux conseguiu manter, com toda a posterior dispersão de sua biblioteca com a ascensão nazista, o exemplar que levou. Leu o livro naquele mesmo ano sem entender o alcance da obra.


3

Em 1930, depois de diversas oportunidades perdidas, Carpeaux decide conhecer Praga. Salta de madrugada na estação Presidente Wilson. Na cidade velha, vê na porta de uma loja um velho judeu esperando fregueses. Tem um ar de grande suficiência e o faz lembrar do pai austero de Kafka. Da ponte Carlos, sobre o rio Vltava, ergue os olhos e observa o antigo palácio real. Reconhece o Castelo de Kafka. Entra na igreja São Vito e identifica o lugar onde o personagem Joseph K. ouve a voz da Lei.


4

Uma vez em Viena, no pós guerra, Carpeaux faz a peregrinação para Kierling, em busca do sanatório onde Kafka morreu. Descobre que o proprietário, doutor Hoffmann já havia falecido e na casa morava o seu filho, Hugo Hoffmann. Na conversa, pergunta sobre um antigo paciente de seu pai, Franz Kafka. O homem enrubesceu e bruscamente responde que não conhecia nenhum Kafka, batendo a porta. Através das grades da propriedade, observa uma janela meio aberta, talvez Kafka tivesse morrido ali, a 3 de julho de 1924, trinta anos antes.


5

Em Viena, pouco depois de Kierling. Carpeaux dirige-se à Biblioteca Nacional da Áustria,  uma das mais ricas do mundo, localizada em um imenso palácio barroco. Procura nos fichários, letra K, nada encontra. O bibliotecário o conduz ao subdiretor, um velho, mal-humorado por ter sido interrompido na leitura de um manuscrito medieval. Carpeaux diz que gostaria de consultar o texto exato de uma frase numa obra de Kafka. O erudito o encara por sobre os óculos de leitura, a resposta tem um componente hilário misturado com uma ponta de tristeza, pois a resposta do senhor diretor foi Não conheço. Como é o nome, KAUKA?





02 setembro 2020

O horror naturalizado

Nossa arcaica desigualdade estrutural

Após um par de semanas sob os efeitos de forte frente fria, a temperatura se estabiliza próximo do que foram as semanas anteriores de inverno, entre os 14 e os 26 graus, com o retorno do sol e do céu azul. Isso tem feito muita diferença, pois definitivamente meu corpo não tem suportado esse frio paulistano, tão úmido e desconfortável. Penso o quão egoísta tenho sido, vendo no entorno tantos indigentes absolutamente vulneráveis. Quando chegamos a 5 ou 6 graus na madrugada, meu tremor me lançou para o desespero destas pessoas abandonadas, sem alternativa para se aquecerem e terem uma noite de sono. 

Aqui perto, meu vizinho que habita os degraus da Receita Federal já há pelo menos três ou quatro anos, deve sofrer profundamente. Um negro alto, que foi mais forte e já apresentou um sorriso mais esperançoso, agora me dá a nítida impressão que fenece aos bocados. Quando o vírus fechou o comércio e afastou as pessoas das ruas, não faço ideia como ele resistiu. Em algumas ocasiões, entrego café e pão de queijo ou broas de milho, penso que o problema seja mais de ordem alimentar do que de vestuário. Ultimamente não o tenho encontrado, suponho que se ocupa com alguma atividade, remunerada ou não, que o desloca para outra parte da cidade, ou para outro lugar discreto. Seus pertences ficam ali, fragilmente cobertos por uma espécie de plástico, e não sei se não padece com predadores, outros seres à deriva como ele e que lutam por sobreviver.

Tento imaginar como devem ser cruéis essas noites na rua, sem qualquer opção. Só mesmo os fortes, essa estirpe de gente que encontra forças para persistir, ainda que isso não forneça alternativas dignas. Pessoas delicadas e simples, duras de pele e ternas de coração. Passamos não só pelos dias mais frios do inverno, como passamos pela onda mais abjeta do capitalismo espoliador, que não tem prazo para acabar. Isso multiplica o sofrimento das pessoas miseráveis, transformando-as em alvos prioritários de destruição presumida. E não há lei ou ética social que impeça esse exercício abjeto das classes bem-fornidas e dominantes.