13 novembro 2008

Terror e miséria no Brasil midiático...



Novamente o pânico... oh, o medo e o temor das coisas, da queda da bolsa, a recessão da economia, a falta de crédito... Os arautos da mídia insistem em que a população se submeta aos ditames da ordem econômica em diluição. 'O comércio se prepara para um natal com menos vendas', ou algo parecido, eis o argumento miserável, como se natal fosse sinônimo de índice econômico! As notícias se repetem, que saco! como se não fosse possível a discussão de assuntos mais importantes, que dialogasse com a nossa inteligência... A mediocridade assalta o cotidiano dos brasileiros, isso já foi dito pelo professor Laurindo Leal Filho, ao mostrar o processo da edição das notícias que chegam aos nossos lares a partir do jornal nacional...

Assuste-se, mantenha-se em alerta permanente, as bolsas desabam, o mercado está deprimido!... Quando não é o Bonner, é o Wack... cuide-se, a crise se aproxima e nos alcançará, claro, vejam o que acontece nos EUA... pânico... ei, ei, o que você pensando... que idéia é essa? férias? cabeça fria?... pois prepare-se, o dólar sobe, os preços disparam (eis outro verbo adorado pelas editorias)... Nada será como antes, os preços do petróleo despencam, o desemprego, pense nisso, significa que a crise se instalou em meio ao pânico... pâ-ni-co... qual o melhor investimento para proteger seu mirrado dinheirinho do turbilhão que se instala? cdb, poupança, captação, dólar, o caralho a quatro... 

Medo, temos de nos desgastar na neurose, na tensão permanente, porque sem estresse não há modernidade... Desconfie do vizinho, do seu cão que mija no lugar errado... esqueça os índios bororos, o próximo pôr do sol, as aventuras de Julio Verne, a última chacina na periferia ou a situação educacional do país... nada sobre o Haiti, ou sobre a paz no Oriente Médio... não, ali não há paz ainda, precavenha-se, é o terror, mais um atentado a bomba morte... desespero... as bolsas oscilaram, o crédito escasseou...

Saudades do circo, aquele espetáculo incessante, de alegria desinteressada, envolvente, sem malícia... as pantomimas com sombras, os malabaristas, os cavalos domados circulando impávidos, com belas amazonas, em meio à palhaçada de picadeiro... o homem-bala, o número de leões amestrados, mamulengos... Falta-nos o espírito do circo, da tolerância, passado e presente juntos, ressoando o mesmo sorriso, a mesma dignidade, o mesmo desprendimento...

O que nos sobra é a banalização do temor ao mundo, e o programa do Jô no final da noite...


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