22 novembro 2008

Paz em tempos de Bush



E por fim, eis que os dignitários das potências intermediárias, tanto do leste como do oeste, sentaram-se uns defronte ao outro para resolver a contenda. Em cada extremo da enorme mesa retangular, os dois representantes das nações belicosas, solitários, sem direito a nenhum assessor. Nas laterais da mesa, os ditos dignitários das potências intermediárias, que formalizavam a paz.

Após uma longa rodada de conversações, regada a whisky 18 anos e acepipes de camarão a la Gandhi, distribuiu-se a minuta do acordo, que se aceita seria logo transformada em tratado final. Uma televisão de plasma fora instalada estrategicamente no recinto, para que todos tivessem acesso aos olhares do Presidente da Grande Nação, que a qualquer instante poderia interferir na rodada de negociações.


Lida a minuta, todos pareceram relativamente satisfeitos. Neste momento, a televisão acendeu e quando se imaginava que surgisse a imagem do Presidente da Grande Nação, irromperam cenas de brutal violência da guerra que imaginavam concluída. Detonações, mísseis disparados, demolições, pânico, crianças mortas, uma sucessão inesperada de imagens que fizeram revolver o camarão a la Gandhi nos estômagos.

Após um tempo que nenhum dos presentes soube precisar, despontou a imagem da cabeça ovalada do Presidente da Grande Nação, envolta em um discreto sorriso de satisfação. Ao saber que as negociações chegavam a bom termo, anunciou seu contentamento com os esforços envidados para a obtenção da paz, mas sentia-se na obrigação de avisar os mandatários e representantes presentes que, por razões que fugiam ao seu controle, a guerra teria de continuar por mais um ano. Sabem como é, interesses de grande proporção, que me escapam ao controle... afirmou após um breve silêncio, antes de retomar o discreto sorriso e desejar boa noite a todos.


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