19 fevereiro 2013

Passagens



No dia em que remanejamos o tempo, retornando em uma hora o relógio para finalizar o horário de verão, notamos a diferença ao despertar, pela manhã. A faina cotidiana e seus prazos ganharam o que parecia um novo fôlego, permitindo-nos o deleite mais gracioso dos momentos ordinários.

Ao longo da semana, a expansão da disponibilidade parecia se haver alargado de tal modo, que tomávamos o chá das tardes observando longamente o horizonte alaranjado, decorado por suaves granulações de cirrus, enquanto uma infinidade de pensamentos vinham e desapareciam, mansamente contemplados.


Mais um mês e se diluiu por completo a urgência, como se a realidade incorporasse os traços do esboço, o risco de um ensaio livre, sem os desígnios da pretensão. Ao sobrevir a fadiga, bastava recostarmos nossas cabeças, para que os sonhos brincassem com suas formas e conteúdos, recompondo um imaginário de ternas apreensões, um mundo demarcado pela placidez extemporânea. 



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