27 novembro 2011

Sobre as despedidas


Nas vezes que retorno de Santo Amaro, consagrou-se o ritual de meu pai me acompanhar até o ponto de ônibus. Acertamos, no curto percurso, as sobras das conversações tidas na mesa de refeição. Uma vez no ponto, aguardamos o coletivo, tenho sempre umas três opções até o metrô. A conversa ganha outra dimensão, lentamente deixamos o tempo do convívio para o breve tempo da despedida, em que a conversa ganha menos importância do que as expressões do corpo. Meu pai se silencia aos poucos, submetendo-se ao fluxo de palavras que elejo para aquele momento, que está por se fechar. Não passam dez minutos, e eis o ônibus despontando na curva, ao longe. Ele sempre me pergunta, É esse?, como a esperar uma negativa minha e assim, permanecermos por mais uns minutos. Tenho tempo para o abraço, para as últimas palavras, e subo invariavelmente sozinho. Curioso isso, aquele ponto, naquele horário, parece servir unicamente a mim. Pois subo, e tenho tempo de vê-lo retomar o caminho de casa... 

Por que não somos felizes nas despedidas?


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