Nas vezes que retorno de Santo Amaro, consagrou-se o ritual de meu pai me acompanhar até o ponto de ônibus. Acertamos, no curto percurso, as sobras das conversações tidas na mesa de refeição. Uma vez no ponto, aguardamos o coletivo, tenho sempre umas três opções até o metrô. A conversa ganha outra dimensão, lentamente deixamos o tempo do convívio para o breve tempo da despedida - ganham importância as expressões do corpo. Meu pai se silencia aos poucos, submetendo-se ao desarrazoado fluxo de palavras que elejo naqueles minutos, sem me preocupar com o tema. Não demora e eis um primeiro ônibus despontando na curva ao longe. Em pé ali no ponto, me pergunta, É esse?, e um por um os ônibus passam, para sua efêmera satisfação. Significa que ganhamos uns minutos a mais. Quando, por fim, meu coletivo se aproxima, nos unimos em um abraço, um abraço terno, e para as últimas palavras, expressas em uma urgência desconexa. Subo no veículo, invariavelmente carregando uma frase incompleta; somos apenas eu e ele naquela plataforma. Curioso isso, aquele ponto de ônibus, naquele horário, parece servir unicamente ao ritual apressado da nossa despedida. Embarco e tenho tempo de vê-lo pela janela, seu olhar volta-se serenamente para o chão, atento à caminhada de volta...
Por que não somos felizes nas despedidas?
Nenhum comentário:
Postar um comentário