Há um esforço tremendo por parte de metade do país para que da outra metade do país se consiga os votos necessários para a vitória eleitoral. O problema aqui é compreender como essa outra metade opta de maneira renitente por jogar fora os minguados direitos sociais ainda existentes, ao abraçar a candidatura de um senador que nada fez e nada faz para que pudesse ser escolhido. Maneira renitente significa, do meu ponto de vista, aferrar-se a um discurso criado do nada, que propõe vagamente a mudança, a liberdade, corte nos gastos e o escambau. Em outras palavras, estamos no risco de seguir o caminho falimentar de Milei na Argentina, onde depois do discurso encantador das sereias prometendo crescimento, fim da inflação, oferece desemprego, empresas que fecham as portas (mais de 30.000 em três anos), empobrecimento e endividamento familiar.
Ontem, a magnífica mobilização popular em São Paulo preencheu mais de dez quadras com velhos, adultos, crianças, representando clubes de futebo, universidades, grupos religiosos, étnicos, de gênero, fandons de redes sociais e até conservadores, mais ligados a políticos do centro-direita. Milhares de pessoas que se comprimiram para ver Lula e dar uma resposta ao chamamento a atuarem por Lula no dia a dia, seja nas ruas, seja nas redes sociais. O embate corpo a corpo, trazer pessoas que não votaram no primeiro turno ou que anularam o voto; pessoas indecisas mesmo tendo votado no adversário possam refletir sobre as diferenças brutais de propostas.
Há um notório crescimento no engajamento digital da esquerda, creio que este tem sido o grande ganho desta eleição. Já não perdemos para o patético rame-rame das notícias falsas propagada maciçamente pelos boots da direita. Não se luta apenas contra os ditames do poder financeiro, mas igualmente contra os algorítmos das big techs e sua censura velada, ao limitar o alcance das postagens pró-Lula. Avançamos: encontramos força, temos proposta e construimos mobilização. Agora é ver se nestas duas semanas conseguimos virar o placar e vencer com Lula.

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