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| Tragedia del Pongo, Alejandro Yllanes |
A copa do mundo começa nesta sexta-feira sob um clima emocional contraditório: há a expectativa natural produzida e incentivada pelo mercado, mas surgem situações diplomáticas exdrúxulas, produzidas nos Estados Unidos sob o governo de Trump. O árbitro somali Omar Artan, um dos melhores da África, teve sua entrada negada pela migração e retornou ao seu país, sendo recebido com festa. O atacante iraquiano Aymen Hussein, ídolo da seleção de seu país, foi interrogado por 7 horas em Chicago antes de ser liberado pela imigração. A seleção iraniana terá de se deslocar do México ou do Canadá, impedida de circular livremente ou de se hospedar em território estadunidense. São essas decisões autoritárias que regem o espírito da competição desta copa. Diante disso, a Fifa não se pronunciou diante desses episódios, e seu presidente Gianni Infantino alegou que a organização não possui poder para interferir nessas decisões políticas. Preferiu o silêncio que resguarda os covardes.
Nesse meio tempo, os bombardeios dos EUA contra o Irã prosseguem, ao mesmo tempo que Israel continua a atacar o Líbano de maneira implacável. Nada parece sensato nestes tempos de Trump, Netanyahu, Milei et caterva. Outro país que corre riscos de ter um presidente cipayo de extrema-direita é a Colômbia, com Abelardo de la Espriella. Nas sondagens para o segundo turno, dentro de 10 dias, ele leva vantagem de 8 pontos, o que não é pouco para ser tirado pelo candidato governista, Ivan Cepeda. Ou seja, até o final do ano, teremos um quadro político muito negativo na América do Sul, com apenas o Uruguai e possivelmente o Brasil com governos democráticos de centro-esquerda (hoje já não sei o que dizer sobre a Venezuela). O resto paira sob o manto de um liberalismo autoritário e personalista, com forte restrição nos investimentos em políticas públicas, privatista e subordinado à esfera de dominação estadunidense.
É de se esperar que novembro traga novos bons ares e confirme as expectativas da democracia com a derrota de Trump na Câmara e no Senado, e com a reeleição de Lula, o que, cá entre nós, ainda é muito pouco. O tempo avança e corrói lentamente as engrenagens desse neoliberalismo brutal, já nomeado de tecnofeudalismo por Yanis Faroufakis, prometendo implodir em algum momento no futuro. Sinais claros ocorrem na Bolívia, onde a greve geral convocada pela Centra Operária Boliviana impede o governo liberal de Rodrigo Paz avançar em seus projetos privatizantes. A insatisfação popular não está restrita à Bolívia: Peru e Equador estão em situação muito semelhante, com a forte oposição e mobilização principalmente vinda dos povos originários e camponeses. A Argentina de Milei ainda tem sobrevida de um ano, e já não resta dúvidas que, a prosseguir o quadro socio-político-econômico atual, será fragorosamente derrotado em 2027.

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