Muitos dos que votaram no capitão pistoleiro acreditaram
promover com este gesto a mudança na prática política. Os que têm uma pequena
compreensão da realidade política, perceberam o engodo a que se submeteram. Não
se promovem mudanças radicais baseado em ideias retrógradas, preconceituosas e
que ganham vida subordinadas a indivíduos da cepa da família Bolsonaro.
Serão tempos difíceis, um desses momentos na história
humana em que se subvertem todos os paradigmas da ciência política.
Circunstância similar ocorreu nos anos 1930, com o advento do fascismo na
Europa, onde lideranças incompatíveis com o espírito da democracia, promoveram
mudanças radicais na organização da estrutura social, política, cultural, no
afã de se erigir o novo homem, massificado, submetido a novos valores e novas
crenças, impondo-lhe uma liderança, um guia que os conduziria a uma vida sem as
práticas corruptas, viciosas da velha sociedade.
O novo se anunciava com roupagens truculentas dissipando a
liberdade individual, condenada por proporcionar o comportamento vulgar, sem a
vontade que mobilizava o povo no sentido de seus verdadeiros desígnios. O novo
ressurge e aclama um novo "mito", que deixando sua inanição de quase
trinta anos em casas legislativas, pretende mudar tudo que está aí: renovar a
política parlamentar, eliminar as ideologias perniciosas, favorecer a
competição empreendedora, com deus acima de todos.
É provável que uma guerra mundial, desta feita, não seja o
caminho da redenção democrática. Padeceremos, sobretudo na América Latina, onde
essa transformação equivocada se estabelece entranhada na sociedade civil, por
anos a fio. Não visualizo no horizonte qual será o graveto que irá quebrar as
costas do camelo, mas não tenho dúvidas de que essa onda sem sustentação
epistemológica irá ruir tão ruidosamente como os fascismos dos anos 1930.
Os pequenos Francos e Mussolinis fraquejarão, não por si, mas sob o empuxo vital das mobilizações sociais, que a princípio poderão carecer de força, organização, propósitos claramente definidos, porém, a cadeia de significados produzida no rastilho da vontade popular culminará nos movimentos que, ao fim e ao cabo, saberão lidar com o Leviatã privatista.
Os pequenos Francos e Mussolinis fraquejarão, não por si, mas sob o empuxo vital das mobilizações sociais, que a princípio poderão carecer de força, organização, propósitos claramente definidos, porém, a cadeia de significados produzida no rastilho da vontade popular culminará nos movimentos que, ao fim e ao cabo, saberão lidar com o Leviatã privatista.
É o que nos basta para acreditarmos nas lutas que estão por principiar.
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