09 fevereiro 2017

Sobre o ganido do ouriço

'Las manos de la protesta', Oswaldo Guayasamin

Quando assaltaram o poder, cheguei a comentar aos mais próximos que fariam tudo o que lhes aprouvesse para impor suas míseras vontades. Não me surpreende, portanto, a calhordice dessa gente, mas lamento profundamente o tempo que nossa sociedade levará para recompor minimamente o estrago político e social. Incorporam a mediocridade imediata, disponível nos lugares-comuns que justificam a cordialidade brasileira e repudiam um projeto de nação, porque seu objetivo é justamente demolir o estado responsável pelas políticas econômicas e pela proteção social. Assumem um neoliberalismo esdrúxulo, já rejeitado nas principais economias industriais e se esforçam para preencher com arengas assépticas, enxutas e arcaicas o dístico positivista "ordem e progresso". Por muitas razões, penso que governam para ninguém, assim como a mídia corporativa se faz sem leitores e espectadores, as forças produtivas descartam as leis trabalhistas e as instâncias da justiça distorcem a letra da lei. Exalam palavras para serem esquecidas e novos padrões para serem assimilados, de onde se pode depreender que a farsa produzida e alimentada por esse governo golpista se desenvolve em um proscênio mambembe, a oferecer esquetes sombrios com a pretensa dimensão das feiticeiras de Macbeth em suas loas, "dobrem e redobrem a lida e o trabalho; o fogo cante e o caldeirão borbulhe". 


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