15 fevereiro 2017

Sobre a decomposição moral



O que mais me chama a atenção nesse processo golpista é o sentimento de esperança que muitos alimentam em relação às instituições que apoiaram o golpe, vale dizer, a mídia corporativa, o judiciário, o empresariado e uma penca de parlamentares. Salvo pequenos entreveros aqui e ali, elas apoiarão o poder executivo em sua canalhice moral e em sua incompetência administrativa pelo menos até 2018.

Já não se trata de resistir, mas de enfrentar! Concordo com a análise do professor Peter Pal Pelbart, “a revolução é da ordem da cólera e da alegria, não da angústia e do tédio”. E para começar, temos a consciência dos fatos e os muros cinzentos para rabiscarmos nossas palavras.

Só não podemos esquecer, como diz o professor Pelbart, que "é preciso destituir a corja de bandidos que sequestrou o Estado (e) quebrar o monopólio das corporações que os sustentam". A pior coisa será aceitar pacificamente a paz cemiterial que nos impõem, sem o menor escrúpulo.

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Leio outro texto revelador, de Aldo Fornazieri, sobre o que chama de 'decomposição moral das instituições'. Há uma corrosão completa começando pelo interior das instituições - mídia, judiciário, legislativo, empresariado, que se espraia para o restante da população, de maneira sórdida e irrefreável, verdadeira terra-arrasada que nos conduz a um Estado com funções vegetativas e a uma população bestializada. Em suma, mera sombra da nação que fomos.

O que sobrevive desse caos metodológico é sem dúvida o poder financeiro, que parece alimentar de maneira frívola o que se denomina como oportunidades de negócios. Parece ser o fim da estratégia de convencimento, do argumento sedutor, o objetivo torna-se uma ação de guerra, negociar com artimanhas canhestras e disseminar os exemplos antiéticos. 

Como se os bancos, via patéticos agentes de terno e gravata, deliberadamente promovessem um vírus degenerativo que, uma vez absorvido pelo cérebro, entorpecesse a capacidade crítica, tornando-nos dóceis ao mundo paralelo de paz e esperança, construído pelo discurso midiático.

Perdemos nossa representação política - talvez resultante de outro vírus inoculado pelo poder financeiro - e a percepção política dos fatos. O movimento golpista, desde seu início, insinuou seu propósito de nos transformar em outra Síria, talvez seja o desígnio do poder financeiro, parodiar Che e criar uma, duas, três, muitas Sírias pelo mundo, em nome do instinto de exploração do capital.     


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