13 abril 2026

Sophia Andressen

 



VIII


Não te chamo para te conhecer

Eu quero abrir os braços e sentir-te

Como a vela de um barco sente o vento


Não te chamo para te conhecer

Conheço tudo à força de não ser


Peço-te que venhas e me dês

Um pouco de ti mesmo onde eu habite



IX


Como é estranha a minha liberdade

As coisas deixam-me passar

Abrem alas de vazio pra que eu passe

Como é estranho viver sem alimento

Sem que nada em nós precise ou gaste

Como é estranho não saber


(Do livro No Tempo Dividido, Assírio & Alvim, Porto, Portugal, 2013)



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