28 julho 2015

A propósito da mediocridade que nos pertence


"(...) do entulho da terra arrasada, foram poucos os que restabeleceram a integridade moral como outrora; era triste perceber os vagalhões sonolentos, entrecruzando-se à deriva, os corpos vergados sem o menor vislumbre de um desejo específico, os semblantes aturdidos murmuravam para si mesmos palavras incompreendidas, como se abrissem espaço para suas almas fatigadas se pronunciarem. Em um primeiro olhar, não se distinguia homens de idosos de mulheres, mas estas logo se pronunciavam por sua natureza acolhedora, identificadas ao se aproximarem dos pequenos destroços humanos, as crianças. Acalentar seria um nobre exagero, pois mesmo elas, mais sábias e atentas, não dispunham de reservas mentais para a virtude da compreensão, esgotadas quando alguma coisa ainda podia ser salva. De modo vago, se distinguiram aqueles que desde sempre foram mantidos nas margens sociais urbanas; mostravam-se mais adaptados às circunstâncias, c'est à dire, imunes ao descalabro moral pelo vilipêndio secular, tornavam-se por fim os agentes protagonistas da recomposição do que outrora se denominou vida social".


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