06 fevereiro 2026

Um futuro de lutas políticas


Felix Nussbaum, Der tolle Platz, 1931


As coisas se arranjam como podem e a vida segue sem percalços. Particularmente não concordo com o pensamento de que as coisas se arranjem por si, elas como circunstâncias se vinculam e se desenvolvem de acordo com a ação humana, de modo que somos, eu sou responsável pelos desdobramentos suaves e não menos vertiginosos deste início de ano. No contexto internacional, o mundo segue a reboque de um canalha sem escrúpulos, que se acredita um bom negociante. Com isso, atrela a nação estadunidense aos seus caprichos, e por consequência, o mundo, ou parte dele. Nossa esperança é a serenidade diplomática chinesa, que com a sabedoria de uma cultura milenar, vai ajustando as arestas desse polígono desajustado, conquistando espaço e... mercado. Acredito que quando os estadunidenses despertarem desse pesadelo moral, político e econômico, será muito tarde. Para nós aqui no Brasil, torna-se imprescindível a vitória eleitoral em novembro, para que nossas políticas sociais, no campo interno, e nossa diplomacia, no externo, consolidem um crescimento e mais além, uma nação autônoma e pujante. A direita segue batendo cabeças, não dispõe de um projeto político para o país, não tem envergadura para conduzir uma economia sofisticada como a nossa e o que é pior, chafurda em seu conservadorismo de costumes que ameaça condenar nossas conquistas sociais e culturais. Tudo em nome de princípios doutrinários de duvidosa consistência moral. Apela para falsos discursos que nada ou pouco têm de cristãos, e assim tenta avançar agitando a cruz de Cristo enquanto destitui o povo de suas conquistas, de seus direitos, de suas verdadeiras crenças. Enfim, minha é a firme expectativa de que a compreensão entre os seres humanos se restabeleça pela solidariedade, condenando de uma vez por todas esse excesso de violência, de supremacismo, de execrável liberalismo.

(ao som de Makyoum Ghali, Djeloui)



05 fevereiro 2026

Pesquisas em Memória

 

O livro a ser lançado dia 9

Uma pausa em nossas preocupações com o mundo: na próxima segunda-feira, dia 9, nosso grupo de pesquisa, o Mnemon, lança Pesquisas em Memória, Comunicação e Consumo, no já conhecido Bar Balcão. São 21 autores, nem todos estarão presentes, que desfilam artigos referentes a suas pesquisas de pós-graduação ou textos elaborados ao longo das discussões realizadas, nestes mais de 10 anos de existência. Os textos abarcam temáticas variadas, do espaço urbano ao processo histórico, da saúde mental ao consumo de alimentos, da moda à cultura pop. Um momento significativo na história do grupo, em que estaremos juntos para retomar as muitas lembranças e reencontrarmos amigos e alunos da vida. 

Venha participar desse momento e comemorar com a gente!


 

28 janeiro 2026

Entre céus e desertos




Um momento de desejada abstração: fechei os olhos e me deixei levar pelo silêncio da sala de espera da dermatologista. A música melodiosa, instrumental. Encostei a cabeça na parede e não demorou para visualizar o caravançará descrito em um dos meus contos, a profusão de cores, os desenhos nos tecidos, os macramês, as bolsas, os utensílios pensos nos imensos camelos em fila, mulheres e homens silenciosos, indiferentes ao sol abrasador... Cobriam-se com turbantes de linho que envolviam a cabeça e o rosto, avançavam ao ritmo balouçante de cada camelo, senhores de seu tempo... Logo a dúvida, não seriam figurantes de um conto de Bowles?... Seguiam por caminhos áridos sob o céu que os protegia, para abastecer o bazar que regurgitava de gente e mercadorias, oriundas dos vários cantos do deserto... Ou uma cena das memórias de Victor Serge em seu exílio, o caravançará atravessando as dimensões profundas da estepe da Ásia Central... Orenburg... e nas cercanias da cidade, o cemitério muçulmano, habitado por crianças abandonadas e bandidos à espreita de uma ocasião... Crianças e bandidos não se entendiam, disputavam as mesmas mercadorias, migalhas em um mundo cujo valor de troca dos furtos garantia a comida da sobrevivência...



19 janeiro 2026

Entre magos e demônios


   Quatro magos comunistas

O mês passa e mal nos damos conta. As festividades no início e a viagem no meio fizeram de janeiro, até aqui, um tempo de sossego e desfrute. Tudo isso à revelia dos transtornados acontecimentos políticos que varrem o planeta, comandados pelo delirante Trump e sua camarilha. Depois do sequestro de Maduro em plena Caracas, com a morte da guarda cubana (mas, segundo informações, com elevadas baixas não confirmadas do lado estadunidense), sobrevém o incêndio sem controle da Patagônia (segundo informes vindos da Argentina, provocados criminosamente) e as ameaças do governo Trump em atacar e tomar a Groelândia. Durma-se com um barulho desses, como diria meu bom amigo Kruger. Por isso tento relevar essa tormenta diabólica com cinema e música ao lado de Moniquinha. No mais tudo muito bem, com minha mãe e minha irmã. Passo o final do domingo em absoluto far niente, lendo e escrevendo, agora, depois do banho, só de calção, em sintonia com o agradável do clima. O calor estava implacável na semana passada e nos primeiros dias de litoral, felizmente amainou bastante, as chuvas chegaram e hoje está maneiro. Fiz algumas correções pontuais em Morrer, viver, com a esperança de conseguir publicar neste ano.



03 janeiro 2026

Um mundo sem regras


Berkeley Protest poster, 1970

Ano novo, métodos ultrapassados. Tropas estadounidenses raptaram o presidente Maduro e sua esposa em uma ação militar em território venezuelano, em uma clara violação do direito internacional. Um ato que abre caminho para novos sequestros-relâmpagos não apenas na América Latina, mas em qualquer parte do mundo. Segundo dados preliminares, em torno de 40 mortos entre civis e militares. Já em Gaza os ataques brutais e os assassinatos seletivos tanto de militantes do Hamas como de jornalistas internacionais demonstraram a viabilidade de se neutralizar quem quer que fosse, a qualquer momento e lugar. O Irã, o Catar e o Líbano também foram igualmente vítimas desse tipo de ataque abrupto e covarde, sem cujos territórios foram submetidos a bombardeios, conforme a consigna de se neutralizar o terrorismo onde for. 

O que vemos, depois de tudo, é a completa desconsideração da jurisdição internacional, das normas que regem a diplomacia entre nações e da autodeterminação dos povos, prevalecendo ações pautadas por mísseis e tropas de elite. As reações, em grande parte em repúdio à operação estadunidense, vão ganhando as telas e páginas de internet, embora na prática não existam respostas eficientes para deter o Império. O mundo aos poucos deixa a inanição política, o que poderá revelar as grandes manifestações, as queimas de bandeiras estadunidenses o a recriminação retórica de umas poucas lideranças? Trump deu um passo além do que se poderia imaginar e não temos a menor ideia de onde a cadeia de acontecimentos políticos conduzirá o mundo. Seja como for, não há outra atitude deste blog senão condenar fortemente a violenta ação imperialista contra a Venezuela.

(atualizado, 04.01.2026)