02 novembro 2015

A conduta e as circunstâncias


O panorama político em nosso pais prossegue turvo, com pressões de diversos lados contribuindo para a paralisia econômica. Os políticos de Brasília não se entendem e a oposição tem um papel nefasto, pois além de não contribuir para um debate construtivo, não se incomoda em jogar contra o país. Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, sujeito leviano e muito habilidoso no trabalho de bastidores, constrói uma agenda conservadora que ameaça a modernidade do pensamento brasileiro, construída a duras penas por pensadores de nossa terra, de Sérgio Buarque a Milton Santos. Ele faz o seu esforço para que a nação regrida em suas conquistas sociais, aliando-se ao que há de pior da bancada evangélica e com o baixo clero da casa. E o que me parece mais grave, o governo – considerando a presidência e a bancada de deputados e senadores da situação – parece imobilizada, sem um projeto que nos retire do impasse desde as eleições.

De seu lado, a mídia aprofunda seu movimento insensato contra o PT, e nestas semanas, contra Lula. Em um texto intitulado “Operação: Zelotes. Alvo: Lula”, escrito por Jeferson Miola e publicado na Carta Maior, há um trecho que define bem o momento atual: “O condomínio policial-jurídico-midiático mirou no filho de Lula para acertar no próprio Lula, coincidentemente na véspera do aniversário de 70 anos deste que, com sua obra, já é um dos maiores personagens da história do Brasil moderno. Este método é parte de um plano estratégico de desconstrução, no imaginário popular, da imagem e do patrimônio simbólico que o Lula representa”.

Tenho esta mesma impressão, está em andamento um plano estratégico de desconstrução da imagem não só de Lula, como do PT, insuflado por parcelas do sistema jurídico, basta ver como se encaminha a operação Lava Jato; por parte do empresariado, basta ver como funciona as ações do tipo Millenium; e pela grande maioria da mídia corporativa, basta ver o argumento agressivo, sem qualquer propósito construtivo, que estampa nas manchetes de jornais, revistas, rádio e televisão.

O resultado disso não parece claro; a marcha para o impeachment parece estancada, porém, as dificuldades para se viabilizar uma política econômica vitoriosa permanecem. Em outras palavras, há muito de artificialismo nesta crise, e pouca vontade em resolvê-la. A sociedade organizada se mobiliza em suas demandas pontuais, e o governo se mostra impotente para orientar-se por algum caminho promissor.


Nenhum comentário: