11 julho 2012

O deleite de um poema incerto (ou, O mar noturno)


Não consigo deixar de me emocionar com seu sorriso, aberto e convidativo, tão simples em sua expressão, mas tão completo em sua beleza. Por isso não me canso de acarinhá-la com meu olhar que busca, que esquadrinha, e que se completa pelo encanto icônico, do qual não se escapa impunemente. Sinto o movimento do mar, sempre ele, pois como lhe disse, você é uma mulher que irradia o mar, o mar noturno, sob a lua cheia e sua cintilação perolada, que nos recobre com um véu diáfano e revela a sonoridade com cheiro de sal. Seus cabelos esparramados em meu colo, graciosos, absorvem os movimentos de minhas mãos, ao ritmo da circularidade inquieta das ondas, o revoltear de meus gestos, a espuma que se aproxima e se desfaz, a brisa morna e renovada, meus dedos surcando a cabeleira como a quilha a superfície das águas, o estrugir da rebentação, o som absoluto que abarca o mundo a nos despertar para os sonhos do além-mar. Descrevo o horizonte na tez de seu rosto, alva, sedosa, e percorro seu corpo traçando desenhos imaginários dos meus desejos, antes de tomá-la nos braços, e de acolhê-la com um beijo prolongado, imerso na madrugada infinita.


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